Ele sabia muito bem o quanto Alícia ansiava pelo nascimento daquele bebê. Fora a primeira vez que sentira nela aquela ternura genuína, o instinto materno aflorando por uma vida que estava por vir.
...
Em um quarto de hospital vigiado pela polícia e pelos seguranças de Kylen.
Na cama, Yolanda estava coberta de tubos conectados a vários monitores ao lado, mantendo seus sinais vitais.
E o cobertor sobre ela repousava tão rente ao colchão na parte inferior que não era possível ver o contorno de suas pernas.
Porque Yolanda havia perdido as pernas naquela explosão. Sofrendo de paraplegia alta, ela agora era uma inválida de forma irremediável.
Pelo resto da vida, mesmo que conseguisse sair dali, estaria condenada a uma cadeira de rodas.
Isso sem contar que ela nunca mais teria a chance de ver o mundo exterior.
Pois Kylen já havia entregado à polícia todas as provas dos assassinatos que ela cometeu.
Com o sangue de várias vidas em suas mãos, era provável que Yolanda fosse executada antes mesmo da próxima primavera.
Ela movia os olhos freneticamente, emitindo murmúrios agoniados.
— Onde está o Kylen... Eu quero vê-lo!
Fora as rondas de rotina de médicos e enfermeiras, mais ninguém entrava naquele quarto.
Por mais que ela gritasse, ninguém lhe dava a menor atenção.
Finalmente, a porta do quarto se abriu. Era uma enfermeira entrando para trocar o soro.
— Alícia já morreu?
O tom de Yolanda era sombrio e arrepiante.
A enfermeira já havia ouvido aquela mesma pergunta inúmeras vezes nos últimos dias.
Sempre que alguém se aproximava de Yolanda, ela fazia a mesma pergunta se Alícia já estava morta.
Mas ninguém lhe respondia.
Todos haviam recebido ordens estritas para não manter nenhum tipo de diálogo com ela.
Após trocar o medicamento, a enfermeira saiu do quarto. O abrir e fechar da porta fez a luz no ambiente oscilar rapidamente entre o claro e o escuro.
Incomodada com a claridade intermitente, Yolanda fechou os olhos.
Vinicius a observava sem expressar qualquer emoção.
— O seu sangue não serve mais para nada.
— Impossível! Ele aturou tudo isso apenas para que eu me recuperasse e ele pudesse usar o meu sangue! Eu já comprovei, ele precisa do meu sangue!
A voz áspera de Yolanda elevou-se bruscamente.
— De fato, era assim antes.
O tom de Vinicius tornou-se glacial, e o olhar que ele lhe lançava era de quem observa um monte de lixo.
— Mas agora há um doador de medula óssea muito melhor. O seu sangue imundo não é digno.
O rosto de Yolanda se contorceu.
— O que você acabou de dizer?
Que história de doação de medula?
Ela apoiou as mãos na cama, pressionando a agulha no dorso da mão e fazendo o líquido do soro parar de gotejar. Mas, por mais força que fizesse, com sua paraplegia, era impossível conseguir se sentar sozinha.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Adeus, Meu Ontem!
Não tem mais capítulos???...