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Adeus, Meu Ontem! romance Capítulo 473

A palma da mão dele acariciou gentilmente a bochecha dela.

— Alícia, espere só mais um pouco.

— Diretor Lourenço, o cariótipo de Julian é perfeitamente compatível com o de Lan. Considerando nossos recursos atuais e a condição física da criança, o transplante será realizado em uma semana.

Kylen relembrou a conversa que tivera com o médico pouco antes de ser procurado por Narciso, quando fora à UTI no último andar.

A condição médica de Lan era bastante peculiar. Suas anomalias na medula óssea foram causadas por envenenamento, o que tornava o seu caso completamente diferente de um transplante de medula convencional.

Muito tempo atrás, os médicos já o haviam alertado para estar preparado psicologicamente: mesmo que o transplante fosse um sucesso, ainda havia o risco de Lan não sobreviver a longo prazo.

Eles fariam tudo o que estivesse ao alcance humano, mas após a cirurgia, a vida de Lan estaria em suas próprias mãos.

De repente, o celular vibrou no bolso de Kylen. Era uma ligação do médico de Lan.

O médico só ligava quando o assunto estava diretamente relacionado a algum avanço no caso de Lan.

Kylen pegou o aparelho. Com a mão livre, ele ergueu a mão de Alícia para um novo beijo antes de atender a chamada e caminhar para fora do quarto.

Em menos de um minuto após sua saída, Alícia abriu os olhos lentamente. Ela virou a cabeça e fitou o copo de vidro com água repousando sobre a mesa de cabeceira.

Do outro lado da linha, Kylen ouvia o médico dizer:

— Diretor Lourenço, já discuti o protocolo de transplante de medula de Lan com a equipe médica. Lembra-se da minha colega que mencionei anteriormente? Pedi que ela viesse amanhã. Com a presença dela, a nossa equipe estará finalmente completa.

O médico já havia abordado esse assunto antes, mas, como o protocolo cirúrgico não estava definido na época, a questão fora temporariamente deixada de lado.

Ele assentiu em resposta.

— Entre em contato com Vinicius para organizar tudo.

Assim que ele encerrou a chamada, um estrondo repentino de algo se quebrando ecoou de dentro do quarto.

O som alto de vidro estilhaçando.

O rosto de Kylen empalideceu num piscar de olhos e, seguido por Narciso, ele disparou para dentro do quarto.

O grito rasgou o ar em um choro histérico. Ela mordera os próprios lábios até sangrarem.

O lamento agoniado de Alícia ecoou pelo quarto. Seus olhos vagos atestavam que ela já não tinha o menor resquício de apego à vida.

Em uma resposta súbita, Kylen a esmagou em um abraço protetor. Ele fechou os olhos pesadamente e enterrou o rosto no cabelo dela, depositando um beijo suave ali.

Não havia mais tempo.

Alícia não conseguiria esperar por tanto tempo.

Relaxando o maxilar tenso, ele falou com uma voz grave e profundamente rouca, carregada de uma dor visceral.

— Você não o matou.

Abraçando ainda mais forte aquele corpo trêmulo e rígido, Kylen deixou as lágrimas subirem aos seus olhos avermelhados.

— Eu vou te levar para vê-lo. Vou te levar para ver o nosso filho, ele ainda está vivo.

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