— Não diga essas coisas, Alícia.
Kylen de repente segurou a mão de Alícia com força. Ele respirou fundo, tentando desesperadamente suprimir a tempestade de emoções que fazia as veias de seu pescoço saltarem.
A cena da véspera de Natal, quando soltaram juntos a Lanterna dos Desejos, estava vívida em sua memória. Naquele momento, ele acabara de perder a avó, e ela fora expulsa da Família Lourenço.
Que possamos nos ver todos os anos, para sempre; fora a única coisa que ele conseguira dizer a ela.
Sua voz grave revelava uma firmeza irredutível, envolvendo-a como fios finos e resistentes.
— Ele vai se realizar. Você sempre estará ao meu lado.
O silêncio caiu entre os dois, pontuado apenas pelo som da chuva constante lá fora, que ganhava força.
Mesmo com o filho vivo, Kylen sabia que Alícia não era o tipo de pessoa que se deixaria amarrar por uma criança, então sequer tentara usar o filho para mantê-la.
Era ele quem não conseguia abrir mão daquele amor.
Alícia virou o rosto para olhar Kylen. Seus olhos não mostravam nenhuma emoção, nenhuma centelha de vida. Seu tom era plácido:
— Como poderíamos ficar juntos depois de tudo?
Sem hostilidade e sem ódio aparente, as palavras que ela dirigiu a ele soaram como se estivesse tentando convencê-lo, ou talvez a si mesma.
— Se os seus pais, sua avó...
— Minha avó foi envenenada. — Kylen a interrompeu, apertando sua mão com mais força.
Ele abaixou a cabeça, e então ergueu os olhos para encará-la.
— Não te contei antes porque não tínhamos nenhuma pista, nada concreto havia sido descoberto.
No primeiro instante, Alícia pareceu não entender o que Kylen estava dizendo. Porém, no segundo seguinte, a mão que estava presa tremeu, e os olhos antes sem vida pareceram quebrar-se.
Ela o encarou bruscamente.
Envenenada...
Envenenada!
As lágrimas escorreram dos olhos avermelhados, e um lampejo de ódio atravessou sua visão.
Sua garganta travada dificultava imensamente soltar a voz:
— Foi o mesmo veneno que a Yolanda Arantes usou em mim, não foi? Foi a Yolanda?
A grande mão de Kylen envolvia a mão trêmula dela. Seus lábios finos se comprimiram antes de responder, com a voz grave:
— Foi a Sylvia Pereira.
Aquele nome soou em seus ouvidos, provocando um aperto no peito e um zumbido constante, como se ela não compreendesse as palavras de Kylen.
Um nome tão familiar, uma pessoa tão familiar.
Ela forçou-se a soltar a mão de Kylen, tentando se sentar na cama. Kylen levantou-se rapidamente para ampará-la, instintivamente querendo que ela se recostasse nele. Mas o corpo de Alícia recusou o toque, inclinando-se para a cabeceira da cama. Ele apenas a deixou fazer o que queria.
Ao pensar na avó, Alícia não conseguiu evitar as lágrimas. A avó fora, de fato, envenenada.
Na época, preocupada com a saúde da avó, ela a levara à força ao hospital para exames, mas não haviam encontrado nada.
Mas ela nunca imaginou que quem envenenara a avó fosse a Sra. Sylvia.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Adeus, Meu Ontem!
Não tem mais capítulos???...