Ao ouvir o nome familiar, uma momentânea confusão atravessou o rosto do homem. Ele franziu o cenho, esforçando-se para controlar suas emoções.
A Norma não gostaria de vê-lo assim.
Vendo sua reação, o coração de Sylvia sentiu como se tivesse sido perfurado por agulhas afiadas. Tremendo de dor, ela não pôde evitar o tom mordaz:
— A Norma Junqueira está morta! Por que você não consegue esquecê-la?
— Ela não está morta!
Os lábios descorados do homem de meia-idade apertaram-se, e o canto de seus olhos ficou avermelhado.
Agarrando-se a uma certeza, ele repetiu:
— Ela não está morta.
Ele virou as costas e não percebeu o olhar ressentido de Sylvia. As mãos dela contra a parede fecharam-se e as unhas quase se partiram sob a pressão.
Claro que ela sabia que Norma não estava morta; sabia, inclusive, onde Norma estava.
……
No carro, ao ouvir Kylen dizer que os pais de Alícia provavelmente estavam vivos, Enrique sentiu um calafrio na espinha e o couro cabeludo formigar de susto.
— Você está dizendo que eles estão vivos? Como isso é possível? Ismael Serra e Norma Junqueira não foram empurrados para a morte por você...?
Ele interrompeu a frase e abaixou a voz:
— Isso é sério? Não me assuste.
Em plena luz do dia, o assunto lhe provocava arrepios.
— Será que você não se enganou? Isso é absurdo, como é possível? Só pode ser um engano, certo?
A cada pergunta, a voz de Enrique ia diminuindo, pois Kylen nunca foi homem de falar besteira, muito menos de brincar com um assunto como aquele.
O rosto de Kylen permanecia inexpressivo, porém, seus olhos escuros assemelhavam-se a um abismo sem fundo. Ele virou-se e contemplou as ruas movimentadas através da janela do carro.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Adeus, Meu Ontem!
Não tem mais capítulos???...