— Alícia... Alícia!
Hera disparou em direção ao banheiro e empurrou violentamente a porta. Encontrou Alícia agachada a um canto, a cabeça recolhida e a mão esquerda agarrada ao pulso direito com fervor.
Estava a suspirar de alívio quando reparou num sangramento através do curativo no punho direito da amiga. O corte não era profundo, não sangrava há dias; era fácil de entender a enorme força com que Alícia o agarrou para provocar aquilo.
— Alícia.
O coração apertou, e os olhos de Hera vermelharam.
Deu um passo em frente quando ouviu a voz débil de Alícia pedir:
— Pode fechar a porta primeiro?
Hera sentiu um aperto sufocante no peito. Fechou cuidadosamente a porta do banheiro, voltou-se e ajoelhou à frente dela.
Devido a todos aqueles traumas e enfermidades, a jovem aparentava grande perda de peso; as mãos de Hera sentiam os ossos dos ombros espetando nos toques macios que tentava dar-lhe. Amargurada com tudo o que via, deu-lhe um abraço, afagando levemente as costas com as palmas.
O seu outro braço quis desatar o abraço opressivo com que ela agarrava o punho, mas logo ao primeiro contato notou um rasto morno escorrendo pelo decote.
Hera prontificou-se a limpar aquelas lágrimas.
Os cantos da boca de Alícia esticaram-se a custo para arrancar um esgar de sorriso.
— Não fique preocupada. Eu me recuperarei.
Os olhos de Hera começaram a turvar-se. Evidentemente, era a própria paciente quem prestava palavras reconfortantes naquele instante.
Pestanejou rapidamente para afastar as lágrimas, estreitando o abraço que mantinha a amiga.
— Eu vou ficar com você sempre, avise quando cansar. Você nunca deve suportar isso sozinha; nós todos precisamos de você, não é só o Lan, mas o Narciso Simões, o Sr. Batista, e eu precisamos de você também.
Limpando-lhe uma lágrima com a face exterior da mão, Alícia retorquiu:
— Nunca achei que você falaria frases tão melosas.
Hera resmungou e devolveu um olhar reprovador:
— Nunca mais digo isso.
Ela puxou a mão de Alícia para fora do banheiro, dando de caras com Narciso, envolto num boné e com uma máscara tapando o rosto, ao entrar.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Adeus, Meu Ontem!
Não tem mais capítulos???...