Carolina puxou o ar fundo, abraçou a almofada e voltou a se sentar no sofá, de cabeça baixa.
— Desculpa...
Henrique apertou os lábios num sorriso amargo e se recostou, também com a almofada nos braços.
— Na época em que você terminou comigo, o que eu mais ouvi foi justamente essa palavra sua: desculpa.
O coração de Carolina ficou pesado.
Ela virou o rosto para a varanda, olhando o céu azul lá fora.
Agora, já conseguia se sentar ao lado do ex e encarar com calma aquela dor do passado, a dor do rompimento que um dia quase a despedaçou.
Pelo visto, Henrique também havia deixado aquilo para trás.
Pelo menos, quando falava no assunto, já não havia mais aquele ódio feroz de antes.
Muito menos a fúria de quando se reencontraram pela primeira vez e ele a ouviu dizer que não se arrependia da escolha que tinha feito, que, mesmo se pudesse voltar no tempo, escolheria tudo de novo. Naquele dia, ele a puxara para a escada, fora de controle como uma fera acuada, e a beijara com uma violência tão intensa que parecia querer devorá-la inteira.
Como se quisesse engoli-la viva.
Carolina voltou o olhar para ele e falou com seriedade:
— Henrique...
Os olhos dele estavam suaves.
— O que foi?
Uma sensação de vazio passou por ela, junto com uma tristeza funda e silenciosa.
— Daqui para a frente, não me beija mais. Eu não posso te dar o que você quer.
Henrique se virou um pouco de lado no sofá, apoiando a cabeça em uma das mãos, com o cotovelo sobre o encosto. O olhar dele ficou ainda mais quente, mais fixo nela.
— E você consegue mesmo ficar sem me beijar?
— Claro que consigo.
— Eu não consigo.
Carolina franziu a testa, irritada.
— Ah, então é isso? Quer tudo do seu jeito e ainda posar de correto?
Henrique apertou os lábios num meio sorriso e, de repente, inclinou o corpo para a frente, roubando um selinho rápido e leve dos lábios dela.
Carolina levou um susto tão grande que puxou a cabeça para trás. Em seguida, levou a mão à boca, cobrindo os lábios, e arregalou os olhos para ele, entre o choque e a vergonha.
— Você...
Mas, no fundo do peito, uma doçura involuntária já começava a se espalhar.
Henrique a encarou profundamente.
Nos olhos dele, parecia haver um mar revolto, contido à força.

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