O diretor Felipe ficou atordoado. Por um instante, achou que ela fosse pedir demissão. A notícia caiu como um raio em céu azul. Seu rosto perdeu a cor, e o pânico tomou conta dele.
— Carolina, por que tomou essa decisão tão de repente? É por causa do salário? Isso... Isso pode ser conversado.
Carolina permaneceu calma.
— Não é isso, diretor Felipe. Nos próximos meses, tenho uma questão muito importante à qual preciso me dedicar integralmente. Gostaria de solicitar uma licença sem remuneração. Vou organizar todo o trabalho que está sob minha responsabilidade e fazer a transição para os outros advogados. Quero entrar em licença a partir de amanhã.
— Mas por quê? — O diretor Felipe baixou os olhos para a barriga lisa dela, completamente confuso. — Você também não parece estar saindo de licença-maternidade.
— Diretor, não cabe a mim explicar o motivo. Se o senhor não puder aprovar, então entrego meu pedido de demissão agora mesmo.
Ela nem chegou a terminar a frase.
— Não, não, não, de jeito nenhum. — Felipe a interrompeu às pressas. — Não peça demissão. Tire o tempo que precisar. Se houver qualquer coisa em que eu possa ajudar, é só me dizer.
Uma advogada de interesse público como Carolina, jovem, competente e brilhante, era, para o escritório, um verdadeiro cartão de visitas, uma garantia de prestígio e credibilidade.
Carolina assentiu, agradecida.
— Obrigada, diretor Felipe.
Depois de concluir a transferência de todos os casos que estavam sob sua responsabilidade, Carolina mergulhou de corpo e alma no caso do pai.
Cinco anos antes, o lugar onde tudo tinha acontecido era a antiga casa da família Pace, na mesma favela onde ela morava com a família.
Luiz costumava estacionar o caminhão no terreno vazio em frente à casa deles, bloqueando a saída do triciclo do pai dela.
O pai de Carolina já tinha tentado conversar de todas as formas, mas Luiz nunca mudava. Pelo contrário, ficava cada vez mais arrogante.
O pai dela ganhava a vida entregando verduras para restaurantes com o triciclo. Quando a passagem era bloqueada, o sustento da família era afetado. Depois de tantas discussões, naquele dia ele perdeu a paciência de vez e xingou:
— Se você estacionar esse caminhão na frente da minha casa de novo, amanhã eu acabo com você.
Só que, no dia seguinte, perto do meio-dia, Luiz estacionou o caminhão no mesmo lugar outra vez.
Furioso, o pai dela foi direto até a casa da família Pace para exigir uma explicação.
A câmera de segurança na entrada da casa registrou o pai dela entrando transtornado, tomado pela raiva. Três minutos depois, ele saiu correndo, em pânico. Estava tão apavorado que tropeçou e caiu logo na porta.

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