Lá dentro, havia também uma folha branca.
Nela, Henrique tinha escrito à caneta-tinteiro uma mensagem em caligrafia solta e elegante, de traços quase indomáveis:
[Carolina, a casa, o seguro, os investimentos, as dez barras de ouro e o cartão bancário são um presente meu para você neste Carnaval. Esta doação é feita de forma livre, sem qualquer vínculo com promessa de casamento. Assine os contratos. A senha do cartão é a sua data de nascimento. Há um milhão depositado nele. Doador: Henrique.]
Como advogada, no instante em que leu as palavras "doação feita de forma livre, sem qualquer vínculo com promessa de casamento" e, logo abaixo, viu a assinatura de Henrique, Carolina sentiu os olhos arderem de emoção.
Ela conseguia enxergar com clareza o quanto o amor dele era sincero.
Sincero a ponto de doer.
Sincero a ponto de parecer loucura.
O coração dela se contraiu devagar, numa dor muda.
Estava comovida.
E, ao mesmo tempo, tomada por uma tristeza amarga.
Tinha sido ela mesma quem se moldara na imagem de uma mulher gananciosa, apegada ao dinheiro, a canalha que, cinco anos antes, o abandonara por interesse.
Mesmo assim, mesmo acreditando que ela era esse tipo de pessoa, Henrique ainda a amava.
Mais do que isso, fazia de tudo para lhe dar segurança.
Antes mesmo de se casarem, já lhe entregava, sem exigir nada em troca, carro, casa, ouro, investimentos, seguro, dinheiro.
As lágrimas foram se acumulando até transbordarem, pingando dos cílios sobre o envelope e deixando ali uma pequena mancha escura de umidade.
Ela não assinou.
Guardou tudo de volta dentro do envelope e o devolveu à gaveta.
Depois se virou, caiu de bruços sobre a cama e puxou o travesseiro de Henrique para os braços, apertando-o com força contra o peito. Enterrou o rosto nele e aspirou fundo.
Ainda restava ali o perfume leve dos cabelos dele.
Ainda bem que a saudade não faz barulho.
Se fizesse, seria ensurdecedora.
O tempo avançava devagar, quase se arrastando. Cada minuto, cada segundo, era atravessado pela tortura daquela espera.
Henrique estava ali.
Vestia um sobretudo preto de corte longo. Trazia aquela elegância sóbria e distante que parecia não pertencer ao mundo comum, bonito de um jeito quase irreal. Acabara de calçar os chinelos, com o celular em uma das mãos e a mala na outra.
— Rick.
A voz de Carolina saiu carregada de emoção, já embargada.
Henrique ergueu os olhos e, no segundo seguinte, um corpo leve e esguio veio correndo na direção dele.
Pego de surpresa, mal teve tempo de reagir antes de vê-la se atirar em seus braços. Com a mão que segurava o celular, envolveu de imediato a cintura fina dela e a aparou com firmeza.
Carolina se enroscou inteira nele, com os braços ao redor do pescoço e as pernas presas à cintura forte dele, e enterrou o rosto em seu peito. Sentindo o calor real daquele abraço, respirando o perfume limpo e familiar que vinha dele, não conseguiu conter as lágrimas que lhe encheram os olhos. Sua voz saiu baixa e trêmula:
— Você não disse que ia ficar cinco dias fora? Como voltou em três?
Henrique a segurou com um braço só, enquanto, com a outra mão, puxava a mala e seguia em direção ao quarto. A voz dele ainda trazia o frio da rua e o cansaço da viagem, mas o tom era de falsa irritação:
— Eu morrendo de saudade, querendo voltar logo pra te ver, e você, sem coração desse jeito, reclamando porque eu voltei cedo demais?
— Eu não reclamei. — Carolina se aninhou ainda mais no pescoço dele, roçando o rosto em sua pele enquanto murmurava. — Eu também senti tanto, tanto a sua falta.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Amar Foi Perder o Controle
Pq está dando erro na leitura do livro...
É sério . Está dando, pedindo pra acessar mais tarde, porém está cobrando dinheiro vulgo moedas, é errado isso...
Pq está cobrando moedas verso dinheiro e não estou conseguindo acessar o livro, pq dar um jeito de dar o acesso às moedas cobradas...
É possível obter o e-book completo?...