— Três, dois, um... Ignição.
Na tela do celular, uma imensa massa de chamas douradas e avermelhadas explodiu sob a base imponente do foguete, como um vulcão sufocado por anos que enfim entrava em erupção.
Ele disparou rumo ao céu numa velocidade assombrosa, rasgando o ar em direção ao espaço, ao universo, para cumprir sua missão.
Quando a transmissão anunciou: "Separação entre o foguete e a nave concluída com sucesso", a repórter e o público presente explodiram em comemoração, aos gritos de euforia.
Carolina soltou um longo suspiro, incapaz de conter a emoção. Seus olhos se encheram de lágrimas quentes.
Aquele era o grande sonho de Henrique: conquistar a imensidão do universo.
E um sonho assim não se realizava com um ou dois lançamentos. O universo era vasto demais. Nem a Lua havia sido plenamente conquistada ainda, e existiam incontáveis mundos à espera de serem explorados.
Carolina apagou a tela do celular, tirou os fones de ouvido e os guardou na bolsa. Depois, ergueu a cabeça e fitou o mapa das estações do metrô.
Faltavam mais cinco paradas.
Com uma expressão abatida, recostou-se no banco gelado e ficou observando, em silêncio, o vidro escuro. Era como se, naquela superfície negra e trêmula, se refletisse seu rosto exausto, vazio.
Seu peito estava oco.
E foi carregando esse vazio que ela seguiu até a prisão.
Depois de passar pelos procedimentos de visita, entrou na penitenciária de segurança máxima. Separada por duas grossas placas de vidro, finalmente viu o pai, Thiago.
Nos últimos cinco anos, ela o visitara com frequência.
E, ao longo desses cinco anos, vira o pai definhar diante de seus olhos, envelhecendo, murchando, sendo consumido pelo tempo e pelo sofrimento.
Agora, o cabelo curto, rente ao couro cabeludo, estava quase todo branco. Já não se via um único fio escuro na raiz.
Com pouco mais de cinquenta anos, ele vestia um uniforme largo de presidiário, listrado de azul e branco. A cintura magra se curvava, os olhos afundavam nas órbitas, e nas faces quase já não havia carne.
Quando viu Carolina, um raro sorriso se abriu em seu rosto. Assim que se sentou, pegou o telefone na mesma hora.
Carolina já não conseguia segurar as lágrimas. Elas transbordaram de uma vez, inundando seus olhos e escorrendo pelo rosto. Quase despedaçada pela dor, ela gritou:
— Você matou Luiz, sim! Então por que mentiu para mim? Você faz ideia do quanto eu sofri nesses cinco anos tentando provar a sua inocência?
Thiago entrou em pânico, sem saber o que fazer. Seus olhos também ficaram vermelhos.
— Eu não menti para você.
Carolina fungou e enxugou com força as lágrimas que não paravam de cair. Seu coração parecia estar sendo rasgado em pedaços. Soluçando, ela explodiu, tomada pela revolta:
— A fé que me sustentou por cinco anos... Desmoronou inteira. Me deu esperança, e depois a realidade veio e destruiu tudo. O que eu faço agora, pai? Como é que eu vou continuar daqui para a frente?
Ao ver a filha desabar daquele jeito, Thiago caiu no choro também. As lágrimas da velhice escorriam sem controle por seu rosto marcado.
— Filha... Eu realmente não menti para você. Estou falando a verdade, eu juro. Mas, se você já está cansada demais, então para de investigar. Não precisa mais fazer isso. Na verdade... Faz tempo que eu aceitei o meu destino. Aqui na prisão, até que eu estou bem. A comida não é ruim, dá para comer até ficar satisfeito. Nos feriados, servem coisas melhores. Todo ano fazem dois exames médicos, a rotina é regrada, o trabalho obrigatório é de oito horas por dia... E, no resto do tempo, ainda dá para ir ao pátio, tomar um pouco de sol... Até assistir ao jornal da noite.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Amar Foi Perder o Controle
Pq está dando erro na leitura do livro...
É sério . Está dando, pedindo pra acessar mais tarde, porém está cobrando dinheiro vulgo moedas, é errado isso...
Pq está cobrando moedas verso dinheiro e não estou conseguindo acessar o livro, pq dar um jeito de dar o acesso às moedas cobradas...
É possível obter o e-book completo?...