Doía demais. Doía de verdade.
Carolina bem que queria que Henrique fosse frio, egoísta, indiferente — até cafajeste.
Assim, ir embora doeria menos.
Henrique a puxou para os braços e acariciou suas costas.
— Não chora. Eu realmente não estou cansado. Quando se trata de amar você, tudo o que eu faço é porque eu quero. Você não precisa se sentir culpada, nem ficar se cobrando por isso. Quando vejo você feliz, eu também fico feliz. Quando vejo você bem, eu também fico bem. No fim das contas, também não estou fazendo isso por mim?
Carolina levantou os braços e o abraçou pela cintura, esfregando o rosto molhado de lágrimas contra o peito dele, quente e firme. As lágrimas encharcaram sua roupa, mas ela o apertou cada vez mais forte.
— Obrigada, Rick... — Disse Carolina, com a voz embargada pelo choro. — Desde pequena... Nem meus pais me amaram desse jeito.
Henrique abaixou a cabeça e beijou o alto dos cabelos dela. Sua voz, rouca e profunda, soou especialmente suave.
— Então me deixa amar você assim, da juventude até a velhice, está bem?
Carolina assentiu... E, logo em seguida, balançou a cabeça.
Henrique soltou um suspiro baixo.
— Não precisa ficar nessa dúvida agora. Vai para o quarto, toma banho e se arruma. Vou aproveitar que a comida ainda está quente para colocar etiquetas nas marmitas com o nome dos ingredientes e depois guardar tudo no congelador. Assim, vai ficar mais fácil para você escolher.
Henrique a conduziu para fora da cozinha.
Carolina deu alguns passos em direção ao quarto, mas parou de repente e virou a cabeça para olhar para a cozinha mais uma vez.
Seus olhos estavam vermelhos e úmidos, tomados por uma tristeza sem fim.
Cinco anos antes, quando o deixou, pelo menos ainda tinha algo em que se agarrar. Ainda carregava a determinação de limpar o nome do pai, e foi isso que a fez seguir em frente.
Agora, nem esse último fiapo de fé lhe restava.
Só havia desespero.
Se o deixasse, ela nem sabia em que poderia se apoiar para continuar vivendo.
Naquela noite, na cama, foi ela quem tomou a iniciativa.
Sem reservas, sem hesitar, fez de tudo para agradar Henrique.
Depois, Henrique a abraçou com força para dormir e murmurou junto ao ouvido dela:
— Você está diferente esta noite.
Carolina não disse nada.
Permaneceu enroscada nele, pele contra pele, e adormeceu em seus braços, saboreando aquele calor, aquele abrigo passageiro.

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