A noite já ia alta, silenciosa, sob um céu claro, de lua cheia e poucas estrelas.
Quando saiu do quarto de Henrique, Carolina trazia nas bochechas um rubor incomum. Fechou a porta com cuidado, quase sem fazer ruído.
Depois de tantos anos ao lado dele, de tanta intimidade compartilhada, ela sempre fora a parte mais passiva. Por timidez, nunca tinha conseguido se entregar de verdade.
Mas, naquela noite, tinha virado do avesso a imagem reservada que sempre passara. Pela primeira vez, tomara a iniciativa com Henrique de um jeito que jamais ousara antes.
Será que o tinha assustado?
Só de lembrar, sentia o rosto queimar de vergonha.
Carolina mordeu de leve o lábio inferior e se virou para voltar ao próprio quarto.
Na manhã seguinte, bem cedo.
Ainda meio perdido no sono, Henrique sentiu um peso leve subir na cama. Um perfume suave, misturado ao cheiro delicado de creme hidratante, invadiu seu olfato. Em seguida, um toque macio roçou entre suas sobrancelhas, úmido, morno, bom demais.
Ele abriu os olhos.
Deparou-se com um rostinho muito perto do seu. Quando despertou de vez, percebeu que aquele rosto estava beijando sua testa, contornando devagar a linha das sobrancelhas.
Seu coração disparou, e sua mão apertou o lençol.
Os beijos continuaram, suaves e perfumados, descendo da testa para as sobrancelhas, depois para a ponte do nariz, bem devagar.
Quando enfim distinguiu o rosto dela, segurou-a de repente pelos ombros e a afastou um pouco. Franziu a testa, olhando para ela com evidente confusão.
Ele... Tinha mesmo acordado com Carolina beijando-o?
Logo cedo, que tipo de sonho maluco era aquele?
— Rick, você acordou?
Carolina sorriu, sem graça. Sua voz era mansa, leve como o vento da manhã, gostosa de ouvir.
Então não era sonho.
O pomo de adão de Henrique subiu e desceu. Ele limpou a garganta antes de perguntar:
— O que você está fazendo no meu quarto?
Carolina estava sentada na beira da cama, as pernas recolhidas, as mãos apoiadas no colchão. Naquela manhã, seus olhos escuros pareciam ainda mais claros, mais vivos. Quando falou, sua voz saiu tão baixa e suave que quase soou irreal:
— A empregada já preparou o café. Vim te chamar pra levantar e tomar café.
Henrique soltou os ombros dela, passou a mão pela testa e se apoiou na cama para se sentar.
Carolina ajudou. Ao se inclinar, aproximou os lábios do ouvido dele e deixou escapar ali uma respiração morna, insinuante, antes de sussurrar:
— Ontem à noite... Foi bom?

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