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Amar Foi Perder o Controle romance Capítulo 184

Luana lançou um olhar fulminante para Pedro e tirou a perna de perto.

Pedro esticou a dele de novo, tentando chutá-la mais uma vez, mas Luana desviou antes. Impaciente, ele arrastou a voz num tom manhoso:

— Mãããe...

Aquele chamado chamou a atenção do advogado Vicente e de Carolina.

Vicente pareceu não entender. Carolina, por outro lado, conhecia muito bem o peso daquele "mãe".

Desde pequeno, sempre que Pedro queria arrancar alguma coisa das mãos dela e não conseguia, recorria exatamente àquele tom, meio choroso, meio mimado, para chamar a mãe. E, como sempre, Luana aparecia para atender o filho, tirando o que fosse das mãos de Carolina para entregar a ele.

A frase nunca mudava:

— Ele é seu irmão mais novo. Você, como irmã mais velha, tem que ceder.

De tanto crescer ouvindo isso, Pedro passou a acreditar que qualquer coisa boa dentro daquela casa, por direito, era dele.

Carolina ainda nem tinha aberto a boca quando, pela primeira vez, a mãe lançou ao filho um olhar duro e cortou:

— Pode me chamar de mãe o quanto quiser. Não vai adiantar.

Pedro fechou os punhos, irritado. Soltou um resmungo seco e se virou para Carolina.

— Mana, você ainda é nova. Vai ter um monte de chance de ganhar dinheiro no futuro. A mãe te criou com tanto sacrifício, agora já está envelhecendo... Era melhor deixar essa casa e esse dinheiro com ela, pra garantir a...

Ele nem terminou a frase.

Carolina já tinha pegado a caneta preta sobre a mesa e, sem hesitar um segundo, assinado os documentos.

Pedro se calou na hora. O rosto perdeu a cor, tomado pela raiva.

Mônica, acariciando a barriga enorme, torceu a boca e disparou, num tom azedo de pura inveja:

— Agora acabou. Já que a mana tem casa e carro, não vai mais precisar ficar encostada aqui na nossa casa.

Encostada?

Naquele momento, Carolina não tinha tempo nem disposição para se prender àquilo.

Depois de assinar, entregou os documentos ao advogado Vicente.

Ele guardou tudo e então se voltou para Luana.

— Senhora Luana, por favor, entregue o cartão bancário à sua filha.

Luana se levantou na mesma hora, entrou no quarto e voltou com o cartão.

Carolina soltou uma risada curta, cheia de desprezo.

— Meus pais ainda estão vivos. Desde quando esta casa virou do seu marido?

Mônica não recuou nem um pouco. Pelo contrário, pareceu ainda mais segura de si.

— Aqui só tem um filho homem. Se não for dele, vai ser de quem? Sua?

Carolina apertou os lábios, sentindo um gosto amargo subir do peito. Virou o rosto e olhou para Luana, que continuava ali ao lado, calada.

— Mãe... Você não vai dizer nada?

Luana forçou um sorriso constrangido. Estava visivelmente sem saber para que lado pender, presa no meio da situação.

— Filho ou filha, tanto faz... Esta casa vai ficar para quem for mais presente e cuidar melhor da gente no futuro.

Assim que ouviu isso, Pedro e Mônica ficaram em choque. Os dois olharam para Luana sem acreditar.

— Ouviram? Ainda não é de vocês. — Disse Carolina, encerrando o assunto.

Então se virou e voltou para o quarto.

Desde que ouviu a mãe dizer que filho homem servia para garantir a velhice, enquanto filha, no fim das contas, acabava virando da casa dos outros, Carolina entendeu perfeitamente como ela pensava.

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