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Amar Foi Perder o Controle romance Capítulo 185

Depois de tantos anos na advocacia, ela já tinha visto de sobra o pior da natureza humana. Entendia muito bem a lógica por trás desse tipo de mentalidade, a ideia de criar filho homem como garantia para a velhice.

No fundo, mulheres assim têm uma visão estreita da vida. Admiram força, poder, status. No fim, são guiadas pelo próprio interesse.

Amam, acima de tudo, a si mesmas.

Quando a filha não tem dinheiro, nem futuro, nem força para se impor, a pressa é arranjar casamento logo. Receber o dote, ajudar o filho homem e garantir que, lá na frente, ele retribua para não acabar a velhice no abandono e na dificuldade.

Mas, quando o jogo muda, quando a filha passa a ter dinheiro, quando se mostra mais capaz do que o filho, essa admiração pelo mais forte aparece na mesma hora. E o afeto, aos poucos, começa a pender para quem tem mais valor, mais poder, mais recursos.

É aí que nasce esse amor materno tardio, crescendo na mesma proporção da competência e da riqueza da filha.

Era triste. Mas era real.

Neste mundo, já não existia mais ninguém capaz de amá-la como Henrique a amou, de um jeito tão inteiro, tão desinteressado, sem pedir nada em troca.

Quanto àqueles bens, ele poderia simplesmente ter mandado o advogado transferi-los em silêncio. E, se ela recusasse, bastaria repassá-los à família dela.

Mas Henrique fez questão de ir além.

Usou a mãe dela como intermediária.

Fez com que a família inteira estivesse presente.

Fez com que ela assinasse ali, na frente de todos.

Era óbvio.

Ele estava garantindo o lugar dela dentro daquela casa.

Estava usando interesses concretos para deslocar o favoritismo dos pais para o lado dela.

Mesmo depois do fim, mesmo depois de ter ido embora, ele ainda continuava abrindo caminho por ela.

Como é que alguém supera uma coisa dessas?

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