Depois de tantos anos na advocacia, ela já tinha visto de sobra o pior da natureza humana. Entendia muito bem a lógica por trás desse tipo de mentalidade, a ideia de criar filho homem como garantia para a velhice.
No fundo, mulheres assim têm uma visão estreita da vida. Admiram força, poder, status. No fim, são guiadas pelo próprio interesse.
Amam, acima de tudo, a si mesmas.
Quando a filha não tem dinheiro, nem futuro, nem força para se impor, a pressa é arranjar casamento logo. Receber o dote, ajudar o filho homem e garantir que, lá na frente, ele retribua para não acabar a velhice no abandono e na dificuldade.
Mas, quando o jogo muda, quando a filha passa a ter dinheiro, quando se mostra mais capaz do que o filho, essa admiração pelo mais forte aparece na mesma hora. E o afeto, aos poucos, começa a pender para quem tem mais valor, mais poder, mais recursos.
É aí que nasce esse amor materno tardio, crescendo na mesma proporção da competência e da riqueza da filha.
Era triste. Mas era real.
Neste mundo, já não existia mais ninguém capaz de amá-la como Henrique a amou, de um jeito tão inteiro, tão desinteressado, sem pedir nada em troca.
Quanto àqueles bens, ele poderia simplesmente ter mandado o advogado transferi-los em silêncio. E, se ela recusasse, bastaria repassá-los à família dela.
Mas Henrique fez questão de ir além.
Usou a mãe dela como intermediária.
Fez com que a família inteira estivesse presente.
Fez com que ela assinasse ali, na frente de todos.
Era óbvio.
Ele estava garantindo o lugar dela dentro daquela casa.
Estava usando interesses concretos para deslocar o favoritismo dos pais para o lado dela.
Mesmo depois do fim, mesmo depois de ter ido embora, ele ainda continuava abrindo caminho por ela.
Como é que alguém supera uma coisa dessas?

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Os comentários dos leitores sobre o romance: Amar Foi Perder o Controle
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