A mansão da família Queiroz tinha uma imponência discreta, daquelas que não precisam chamar atenção para impressionar.
À noite, o longo corredor era iluminado por luzes suaves em tons quentes, criando um ambiente acolhedor e elegante.
Lívia puxava Carolina para dentro sem lhe dar chance de escapar.
Enquanto andava, Carolina ainda tentou resistir:
— Lívia, eu só vim devolver o dinheiro. Nem trouxe presente... Não fica bem aparecer assim na casa dos seus pais.
— Não precisa trazer nada. — Lívia se agarrou ainda mais ao braço dela, sem a menor intenção de soltá-la. — E, além disso, meus pais saíram. Hoje só está a turma mais nova aqui, se distraindo.
— Turma mais nova?
Carolina sentiu o peito apertar.
Na lembrança dela, Henrique e Enrico não moravam com os pais.
"Será que o Henrique também está aqui?"
Depois de atravessarem o longo corredor, as duas chegaram à ampla sala de convivência.
No instante em que viu as costas de Henrique, Carolina parou de vez.
— Essa é a minha amiga, Carolina. — Anunciou Lívia, como se aquilo fosse a coisa mais natural do mundo.
Dentro da sala, com exceção de Henrique, todos os outros se viraram para olhar.
Cláudio a encarou por alguns segundos e acabou se levantando sem perceber. Ainda estava com as cartas na mão, e um sorriso largo apareceu em seu rosto.
— Carol... Quanto tempo.
Ao ouvir a voz dele, Carolina virou o rosto. Quando reconheceu Cláudio, que não via havia seis anos, forçou um sorriso e acenou de leve com a cabeça.
— Quanto tempo mesmo.
Nesse momento, Enrico também deixou o jogo de lado, foi até ela e a cumprimentou com um sorriso.
— Carol?
Carolina inclinou a cabeça em cumprimento.
— Oi, Enrico.
— Entra, senta com a gente.
Sempre educado, Enrico pousou a mão de leve em seu ombro e a conduziu para dentro.
Levou-a até a área de estar ao redor da mesa de centro.
Ao ver isso, Cláudio se afastou na mesma hora, deixando livre o lugar do meio.
— Carol, se senta aqui.
Havia gente demais ali, e todos eram rostos do passado. Todos conhecidos.
Sob aquele peso silencioso, Carolina se perdeu por completo. As mãos e os pés pareciam não ter lugar. Por dentro, já era puro caos. Ela nem sabia onde pousar os olhos.
Queria explicar que não tinha ido até ali de propósito para encontrá-lo, muito menos para aparecer na frente dele.
Mas havia gente demais. Não era o tipo de coisa que desse para explicar ali. E Lívia também não a deixava ir embora. Ficar, por sua vez, era pior ainda. Carolina simplesmente não sabia como agir.
Quando a gente tenta esquecer alguém, o que mais machuca é esse tipo de reencontro, de novo, e de novo, e depois mais uma vez.
A respiração de Carolina saiu do ritmo. O coração parecia prestes a saltar pela garganta. Ela simplesmente não tinha coragem de olhar Henrique nos olhos.
Qualquer um ali seria capaz de perceber o quanto ela estava desconfortável.
Todos permaneceram em silêncio, esperando que Henrique e Carolina ao menos trocassem um cumprimento.
Mas nenhum dos dois disse uma única palavra.
O silêncio entre eles era tão pesado que chegava a sufocar.
Lívia lançou um olhar para Henrique e pensou que, encarando alguém daquele jeito, com tanta fixação e intensidade, qualquer pessoa ficaria sem graça.
— O que vocês estavam jogando? — Perguntou ela, quebrando o silêncio.
Renato aproveitou a deixa:
— Ah, só uma partida de cartas mesmo. — Então ergueu as sobrancelhas e lançou a Carolina um olhar divertido. — Carolina, seis anos sem te ver, e você continua com a mesma carinha de quando estava na faculdade. Só ficou mais magra. O tempo não passa pra você, não?
Carolina sorriu, sem jeito.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Amar Foi Perder o Controle
Pq está dando erro na leitura do livro...
É sério . Está dando, pedindo pra acessar mais tarde, porém está cobrando dinheiro vulgo moedas, é errado isso...
Pq está cobrando moedas verso dinheiro e não estou conseguindo acessar o livro, pq dar um jeito de dar o acesso às moedas cobradas...
É possível obter o e-book completo?...