Aquilo já estava tirando Lívia do sério.
No fim das contas, Carol realmente conhecia Henrique melhor do que ninguém. Quando o assunto era amor, o irmão dela simplesmente não tinha salvação.
Será que ele não tinha mesmo a menor ambição profissional?
Henrique olhou para as cartas espalhadas sobre a mesa, ergueu uma sobrancelha e soltou uma risada baixa.
— Ah, pronto... Foi você que me arrastou pra esse jogo. Aí eu falo uma coisa que você não quer ouvir e agora quem faz cena é você? Afinal, o que é que você quer?
Lívia franziu a testa e lançou um olhar duro para ele.
— E se ele não fosse só um funcionário público qualquer? E se fosse um engenheiro de propulsão aeroespacial? E se o sonho dele, desde criança, fosse explorar outros planetas... Conquistar o universo? Você ainda diria pra ele largar o trabalho?
O semblante de Henrique mudou na mesma hora. Quando respondeu, sua voz já tinha esfriado.
— Aonde você quer chegar com isso?
Lívia endireitou as costas e sustentou o olhar dele.
— Primeiro me responde.
Renato e Cláudio não estavam entendendo nada. Os dois olharam para os irmãos, tensos.
O clima tinha mudado num instante.
Até um segundo atrás, era só um jogo de cartas. Agora, parecia que os dois estavam prestes a bater de frente de verdade.
O olhar de Henrique escureceu.
Foi então que o celular de Lívia tocou.
Ela pegou o aparelho, viu o nome na tela e atendeu na mesma hora. Assim que encostou o telefone no ouvido, a voz dela se suavizou:
— Carol? Aconteceu alguma coisa?
Henrique pegou o copo ao lado da mesa e virou a bebida de uma vez, antes de voltar o rosto para a janela.
A noite já tinha caído.
Lá fora, as luzes amareladas iluminavam o jardim da mansão.
— Eu tô em casa...
Lívia se surpreendeu.
— Você tá na porta da minha casa? Tá bom... Já tô indo.
Ela desligou e se levantou.
Cláudio também ficou de pé no mesmo instante.
— É a Carolina?
Lívia estreitou os olhos, desconfiada.
— Se meu irmão ainda se importa com você, ele mesmo vai atrás da verdade.
Lívia soltou outro suspiro, visivelmente cansada. Quando voltou a falar, a voz já vinha mais baixa:
— Mas, se ele já desistiu de você... Se pra ele isso não faz mais diferença nenhuma... então ele não vai atrás de nada.
Ela fez uma pequena pausa antes de completar:
— Eu respeito você. E também respeito a escolha dele. Não vou mais me meter na história de vocês.
Lá no fundo, ela mesma também tinha medo.
Medo de que o irmão fosse mesmo o tipo de homem que largaria tudo por amor... e acabasse perdendo tanto o amor quanto a carreira.
Carolina perguntou com calma:
— Se fosse você... E caísse no mesmo buraco duas vezes, saindo das duas completamente destruída, com a cabeça em frangalhos e o corpo despedaçado... Pisaria nele uma terceira vez?
A expressão de Lívia pesou.
— Não pisaria.
Carolina continuou serena demais.
— O seu irmão também não pisaria. Então... Eu já aceitei isso. Já não me importo tanto assim. Por isso também não tenho mais medo de você contar pra ele sobre o meu pai.
— Já aceitou? — Lívia passou o braço pelo dela e começou a puxá-la para dentro. — Tá bom. Já que você veio até aqui, então entra.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Amar Foi Perder o Controle
Pq está dando erro na leitura do livro...
É sério . Está dando, pedindo pra acessar mais tarde, porém está cobrando dinheiro vulgo moedas, é errado isso...
Pq está cobrando moedas verso dinheiro e não estou conseguindo acessar o livro, pq dar um jeito de dar o acesso às moedas cobradas...
É possível obter o e-book completo?...