O médico anunciou a hora da morte, mas Carolina não conseguiu ouvir uma única palavra.
Foi só naquele instante, no exato momento em que a mãe morreu, que ela finalmente entendeu uma coisa: no mundo, não existe mãe que não ame os próprios filhos. O que existe são formas diferentes de amar, mais fundas ou mais rasas, maiores ou menores, mais tortas ou mais silenciosas.
A mãe dela tinha passado a vida inteira esmagada pela pobreza. No fundo, tudo o que queria era ter algum apoio dos filhos: poder contar com o filho para sustentá-la na velhice e com a filha para trazer algum alívio financeiro.
Sonhava em ver o filho com a vida nos trilhos… E a filha casada o quanto antes.
Na cabeça dela, tinha atravessado a vida inteira se apoiando no marido e no filho. Por isso, também queria que a filha tivesse um homem em quem se apoiar, uma família do marido que pudesse lhe servir de abrigo.
Amor ou não, isso pouco importava.
Desde que houvesse dinheiro.
Desde que houvesse um homem para cuidar dela.
Desde que ela não passasse necessidade. Desde que não ficasse sozinha no mundo.
Uma mãe com pouca instrução, presa a esse tipo de pensamento... Não seria isso também, à sua maneira, uma forma profunda de amor materno?
Durante metade da vida, Carolina ressentiu o favoritismo da mãe pelo irmão.
Mas foi apenas na hora da morte dela que entendeu: A mãe também a amava.
O médico começou a retirar os aparelhos do corpo.
A enfermeira segurou Carolina pelo braço e a consolou em voz baixa:
— Meus sentimentos. Deixe sua mãe partir em paz.
Carolina afastou a mão dela.
A garganta ardia, como se algo a estivesse estrangulando por dentro, e nenhum som conseguia sair.
Ela continuou abraçada ao corpo da mãe, sem querer soltá-lo de jeito nenhum.
A enfermeira correu para fora para chamar os outros familiares e pedir ajuda.
Logo em seguida, a voz embargada de Lívia chegou até ela:
— Carol... Sua mãe... Ela...
Carolina sentiu a dor no peito apertar tanto que mal conseguia respirar. A enfermeira tentou puxá-la. Lívia também. Mas ela afastou as duas com força e tornou a se jogar sobre o corpo frio e rígido da mãe.
De repente, alguém segurou seu braço com firmeza e a ergueu do chão. Em seguida, um par de braços fortes a prendeu num abraço quente, impedindo que ela se soltasse.
Com os olhos inundados de lágrimas, ela viu o médico cobrir o corpo da mãe com um lençol branco.
Um lençol fino.
Tão fino.
Assim que o viu, alguma coisa entalada na garganta de Carolina se rompeu de uma vez. Ela não conseguiu mais se conter e desabou num choro alto, convulsivo. O corpo tremia sem controle, e ela gritou em desespero, como se o peito estivesse sendo rasgado ao meio:
— Eu não tenho mais mãe...
Henrique já não conseguiu conter as próprias lágrimas. Elas transbordaram dos olhos vermelhos no mesmo instante. Ele segurou a nuca dela com força e a apertou contra o peito, envolvendo seu corpo num abraço desesperado. Seu rosto ficou encharcado, e sua voz saiu sufocada pelo choro:
— Me perdoa, Carolina... Me perdoa...
Os olhos de Lívia também ficaram vermelhos, brilhando de lágrimas.
— Henrique... Eu nunca mais vou ter mãe...
Carolina chorava sem freio nos braços dele.
A dor no peito era tão grande que seu corpo inteiro começou a formigar. Então, de repente, suas forças se esvaziaram de uma vez. O corpo amoleceu, a consciência se apagou, e ela desmaiou.
— Carolina.
Henrique entrou em pânico. Sem pensar duas vezes, pegou-a nos braços e saiu correndo para fora.
— Carol...
Lívia, arrasada e aflita, correu atrás dele para chamar os médicos.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Amar Foi Perder o Controle
Pq está dando erro na leitura do livro...
É sério . Está dando, pedindo pra acessar mais tarde, porém está cobrando dinheiro vulgo moedas, é errado isso...
Pq está cobrando moedas verso dinheiro e não estou conseguindo acessar o livro, pq dar um jeito de dar o acesso às moedas cobradas...
É possível obter o e-book completo?...