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Amar Foi Perder o Controle romance Capítulo 221

A noite já estava avançada, e o canto dos insetos no jardim do hospital subia e sumia em ondas irregulares.

No terceiro andar da ala de internação, o quarto privativo permanecia mergulhado num silêncio quase absoluto. O cheiro de desinfetante impregnava o ar, enquanto a luz morna e amarelada espalhava sombras suaves pelo rosto bonito e severo de Henrique.

Sentado, imóvel, numa poltrona de descanso, ele parecia ter o corpo inteiro vergado por um peso insuportável. Os ombros largos afundavam contra o encosto, exaustos, como se carregassem uma montanha nas costas. Seus olhos escuros permaneciam fixos em Carolina, inconsciente sobre a cama, sem se desviar nem por um instante.

A culpa o envolvia por completo, pesada e sufocante. Ele simplesmente não conseguia sair dali.

Desde a tarde até altas horas da noite, o soro já havia acabado fazia muito tempo. Ainda assim, Carolina continuava sem dar sinal de que fosse despertar.

Lívia empurrou a porta devagar e entrou sem fazer barulho, trazendo uma caixa com algo para comer durante a madrugada. Falou em voz baixa, quase num sussurro:

— A Carol ainda não acordou?

Henrique nem mudou de expressão. Apenas fez que não com a cabeça.

Lívia se aproximou, deixou a comida sobre a mesinha e tentou insistir com cuidado:

— Mano, você não jantou. Come alguma coisa.

— Tô sem fome. — Henrique recostou a cabeça no encosto da poltrona, soltou um suspiro longo e pesado e fechou os olhos. — Avisaram o irmão dela?

— Sim. Ele pegou o último voo da noite e chega amanhã de manhã.

— Certo.

Lívia se sentou ao lado dele.

— Mano, por que você não volta pra casa e descansa um pouco? Eu fico aqui com ela.

Henrique não respondeu. Permaneceu imóvel, como se nem tivesse ouvido.

Um pouco sem jeito, Lívia acabou dizendo, em voz baixa:

— Você é um homem comprometido... Noivo, ainda por cima. Não pega bem passar a noite aqui com ela. Se a Daniela souber, vai se incomodar.

Henrique ergueu a mão e apertou o espaço entre as sobrancelhas, como se quisesse conter a dor à força. Quando falou, a voz saiu baixa, carregada:

— Eu só queria esperar ela acordar e me dar uma resposta. Por que ela me enganou? Por que mentiu pra mim durante seis anos?

Lívia soltou um suspiro leve.

— Eu sei que você tá magoado, mas, a essa altura, essa resposta ainda faz diferença? Você acha mesmo que a Carol se importa com o que você sente?

Henrique soltou uma risada curta e amarga, debochada de si mesmo.

— Pois é. Se ela se importasse comigo, nem que fosse um pouco, não teria me abandonado duas vezes. — Um riso frio escapou pelo nariz. — Essa resposta já não importa mais.

Depois disso, ele se levantou.

Lívia suspirou.

— Quando uma relação chega nesse ponto, os dois saem machucados. Que tristeza...

Carolina permaneceu em silêncio.

— Carol, quer comer alguma coisa? Eu trouxe uma ceia.

Ela balançou a cabeça.

Lívia se sentou na beira da cama, pegou a mão gelada dela e começou a aquecê-la entre as suas, esfregando-a devagar.

— Ainda bem que você acordou. Eu já tava ficando desesperada.

— Lívia... — A voz de Carolina saiu rouca, fraca, como se cada palavra exigisse dela um esforço enorme. — Quando a minha mãe foi até a sua casa... O que aconteceu?

Lívia abaixou a cabeça, tomada pela culpa.

— Me desculpa, Carol.

Então começou a contar tudo, devagar, em voz baixa:

— Sua mãe chegou muito alterada. Assim que entrou no jardim da minha casa, começou a xingar o meu irmão, chamou ele de cafajeste e disse que ele tinha te machucado. E meu irmão, pra não piorar ainda mais a situação, assumiu a culpa. Disse que tinha sido ele quem tinha te decepcionado, que a responsabilidade era toda dele. Ele chamou sua mãe pra entrar e conversar, mas ela não quis. Depois tentaram levá-la de volta pro hospital, e ela também se recusou. Ela insistiu em procurar a minha tia. Disse que queria fazer justiça por você.

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