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Amar Foi Perder o Controle romance Capítulo 223

— Eu vou ligar pro crematório e agendar tudo. — Disse Carolina.

— A gente vai levar ela pra casa pro velório?

— Vai. Mesmo sem o papai aqui, a mamãe merece uma despedida digna.

Pedro abaixou a cabeça, completamente perdido.

— O dinheiro do velório... Eu... Eu não tenho.

Pedro nunca teve muita iniciativa, muito menos dinheiro. Sempre dependeu da irmã para tudo. Nunca foi o tipo de homem capaz de sustentar a casa ou se tornar o apoio da família. Agora, com a morte da mãe, parecia ainda mais desnorteado.

— Eu tenho. — Respondeu Carolina.

Foi nesse momento que Lívia entrou às pressas no quarto, com um cartão bancário na mão.

— Carol, minha tia mandou isso como compensação. Tem oitocentos mil na conta.

Carolina ficou em choque.

Pedro e Mônica também se levantaram na mesma hora, trocando olhares atônitos.

— Compensação por quê? — Perguntou Pedro, com a voz trêmula.

Carolina franziu a testa, sem entender.

— Sua tia tomou a iniciativa de pagar uma compensação?

— Não foi iniciativa dela. Meu irmão foi falar com ela. Ele ainda tá na casa da minha tia. Mandou que eu trouxesse o cartão pra vocês primeiro.

Carolina foi até ela e pegou o cartão.

Se aquilo vinha como indenização de Tainá, então era um dinheiro que, sim, cabia a ela receber.

Afinal, a morte da mãe tinha sido provocada indiretamente por causa dela.

O que Carolina não conseguia entender era como Henrique tinha feito Tainá aceitar pagar aquela quantia de livre e espontânea vontade.

Movido pela curiosidade, Pedro perguntou:

— Mana... O que foi que aconteceu?

Carolina pensou por alguns instantes antes de responder, de forma breve e direta:

— A mamãe tinha insuficiência cardíaca. Ela não podia passar por nenhum abalo. Antes de passar mal, discutiu com alguém. Esse dinheiro é uma compensação da outra parte.

Mônica arregalou os olhos, surpresa.

— Nossa... Pagar uma indenização assim, por conta própria, sem nem precisar entrar na Justiça, e ainda nesse valor? O povo tá consciente desse jeito agora? — Pedro deu um passo à frente na mesma hora, cheio de convicção: — Mana, esse dinheiro é uma indenização pela morte da mãe. Você não pode ficar com tudo. Tem que me dar metade.

Lívia lançou um olhar frio para o casal, claramente incomodada.

Tudo por causa de uma única frase de Henrique:

— A mãe da Carolina morreu. A gente não pode fingir que isso não tem nada a ver com a nossa família. Essa indenização humanitária vai sair do seu bolso ou do meu?

No fundo, o que ele queria dizer era simples: se ela não pagasse, ele pagaria.

Como uma das mulheres mais respeitadas da família, Tainá sempre havia dado as cartas. Durante anos, foi ela quem comandou todos os assuntos, grandes e pequenos, dentro de casa.

E aquelas palavras de Henrique a tinham encurralado sem deixar saída.

Porque, se se recusasse a desembolsar um centavo, só provaria que era mesquinha, pequena, incapaz de pensar no todo. E isso destruiria a imagem de matriarca sensata e irrepreensível que ela havia construído com tanto empenho ao longo dos anos.

Quisesse ou não, ela teria de dar aquele dinheiro.

Henrique pegou o valor que ela entregou e passou para Lívia, para que ela levasse ao hospital.

Mesmo assim, Tainá continuava convencida de que não tinha feito nada de errado. Então tentou se justificar:

— Rick, eu fui atrás da Carolina por sua causa. Fiz tudo pensando em você. Também não imaginei que as coisas fossem acabar desse jeito.

Os olhos de Henrique estavam frios como gelo. Quando falou, foi devagar, palavra por palavra:

— Há seis anos... Quando Carolina terminou comigo, isso também foi por sua causa?

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