— Eu realmente fui falar com ela. — Admitiu Tainá. — Mas, por acaso, eu tinha esse poder todo?
Henrique se recostou na cadeira, calmo quase até demais. Mas a decepção na voz não dava para disfarçar.
— Não, você não tinha poder para obrigá-la a terminar comigo. Mas foi o que você disse que fez com que ela escondesse a verdade de mim durante seis anos. Naquela época, ela preferiu arruinar a própria reputação, carregar sozinha a fama de ter me traído, em vez de me contar que o verdadeiro motivo do término era a prisão do pai.
— E, mesmo que tivesse contado, o que é que isso mudaria? — Tainá se exaltou, tomada pela indignação. — Você ia jogar o seu futuro fora para ficar com a filha de um assassino?
Henrique soltou uma risada curta, sem humor.
No instante seguinte, seus olhos ficaram vermelhos. Ele cerrou os dentes, inspirou devagar e fechou os punhos com tanta força que os nós dos dedos embranqueceram.
Tainá continuou, cada vez mais incisiva:
— A Carolina também não te amava assim tanto. No mínimo, ela não teve força nem pra suportar a pressão que vinha de mim. Muito menos teria coragem de enfrentar a pressão da família inteira pra ficar com você. Ela não queria se casar com você e depois carregar a culpa de ter arruinado a sua carreira. Ela é bonita, inteligente... arrumar um homem mais rico do que você seria a coisa mais fácil do mundo pra ela. Ela terminou porque colocou tudo na balança. Não foi porque eu obriguei.
A voz de Henrique saiu fria, cortante como gelo:
— Você está invertendo as coisas. — Ele ergueu os olhos para encará-la. Cada palavra veio dura, sem desvio. — O ponto nunca foi se a Carol me amava o bastante ou não. O problema é você usar o peso da nossa família pra pressioná-la, pra encurralá-la. Você pegou uma coerção mesquinha e covarde, disfarçou isso de provação, e depois ainda subiu num pedestal moral pra acusá-la de não ter sido firme o suficiente?
O rosto de Tainá empalideceu de raiva. A respiração ficou pesada. O peito subia e descia com força, enquanto os olhos frios e autoritários permaneciam cravados em Henrique.
A voz dele, porém, soou ainda mais cansada. Ainda mais amarga.
— Para de repetir esse discurso. Ela não desistiu de mim depois de pesar prós e contras. Com a sua faca no pescoço, ela escolheu me proteger.
Tainá soltou o ar e riu com desprezo.
— Se é assim que você quer enxergar as coisas, então pede demissão, vai atrás dela e tenta voltar. Vamos ver se ela vai querer ficar com você. Vamos ver se ela ainda te ama.
Henrique sorriu com amargura.
— Ela não vai.
— Já que você sabe disso, então esquece o passado. Esquece a Carolina e trate de se preparar direito pro casamento com a Daniela.
Henrique se levantou devagar e soltou um suspiro pesado.
O sol de junho turvava a visão. Tudo ardia, vermelho, úmido, dolorido.
A frase da tia, "a mulher que você nunca vai ter", continuava ecoando dentro dele como uma chuva cerrada de flechas, atravessando seu coração sem piedade. Doía tanto que parecia capaz de matá-lo. Até respirar ficava difícil.
Mas ele já sabia disso muito antes.
Já sabia que nunca conseguiria se casar com Carolina.
Não por causa do trabalho.
Nem por causa da oposição da família.
Era simplesmente porque Carolina não queria.
Ele tirou o celular do bolso e ligou para Daniela.
— Vamos nos encontrar. Eu passo aí pra te buscar.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Amar Foi Perder o Controle
Pq está dando erro na leitura do livro...
É sério . Está dando, pedindo pra acessar mais tarde, porém está cobrando dinheiro vulgo moedas, é errado isso...
Pq está cobrando moedas verso dinheiro e não estou conseguindo acessar o livro, pq dar um jeito de dar o acesso às moedas cobradas...
É possível obter o e-book completo?...