Depois de pendurar as roupas, Carolina se aproximou da grade da varanda e ergueu os olhos para o céu.
Escuro. Fechado. Sem uma única estrela. Até a lua parecia engolida por aquela massa densa.
Ficou ali por um instante.
Mas a brisa de verão estava quente demais, abafada. Como já tinha tomado banho e detestava ficar suada depois disso, virou-se para dentro, fechou a porta de vidro e puxou a cortina.
No dia seguinte começaria no novo trabalho.
Precisava dormir cedo.
Como sempre tinha dificuldade para pegar no sono, tomou uma dose maior do remédio, apagou a luz e se deitou.
Lá embaixo, Henrique continuava encostado na porta do carro, olhando para a varanda escura do terceiro andar.
A luz se apagou.
Ela já tinha ido dormir tão cedo assim?
Ele pegou o celular para ver as horas e se surpreendeu.
Já passava das onze e meia.
Sem perceber, tinha ficado ali por mais de quatro horas. O tempo simplesmente tinha escorrido.
Abriu a porta, entrou no carro e se sentou ao volante. Mesmo assim, não conseguiu ir embora. Ficou ali, em silêncio, por mais meia hora, e só deixou o condomínio depois da meia-noite.
Na manhã seguinte, foi trabalhar normalmente.
Mas, ao sair do expediente, como se fosse puxado por algo que não conseguia explicar, dirigiu de novo até o condomínio e estacionou na rua em frente ao prédio dela.
Mesmo sem vê-la, só de estar perto… Era como se a distância entre os dois diminuísse.
Aquilo acalmava.
Preenchia.
E, de alguma forma, amenizava a saudade.
Só quando a noite já tinha caído de vez, a silhueta magra de Carolina apareceu na entrada do condomínio.
Ela caminhava devagar, com o cansaço visível no corpo. Na mão, levava uma sacola pequena.
Nem precisava pensar muito, era comida de delivery.
Dentro do carro, Henrique observava em silêncio.
Havia um peso no olhar dele ao vê-la passar ao lado do veículo, curvada de exaustão, e desaparecer dentro do prédio.
A luz do terceiro andar acendia por um tempo… E logo depois se apagava de novo.
E assim foi, dia após dia.
Quase todas as noites, depois do trabalho, ele dirigia até ali e estacionava embaixo do prédio dela. Só ia embora quando a luz do apartamento se apagava.

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