Henrique estava distraído. Já não conseguia mais se concentrar nos dados na tela.
— Pra que ela quer uma foto minha?
Lívia não teve coragem de admitir que, diante de Carolina, tinha inventado uma mentira enorme.
— Ela só queria saber se você ainda estava vivo.
Henrique não disse mais nada.
Voltou a se afundar no trabalho, como se aquilo pudesse anestesiar a própria mente.
Depois de retocar a foto, Lívia sorriu sozinha, satisfeita com o resultado, e a enviou para Carolina.
Na cabeça dela, não havia nada de estranho naquilo.
Mas, quando Carolina viu a imagem, sentiu o coração despencar. O corpo perdeu as forças, e ela desabou no sofá, com os olhos cheios de lágrimas.
Na foto, Henrique estava pálido de um jeito assustador. Os lábios rachados, a pele descascando, os olhos fundos, o rosto arrasado.
Em apenas dois dias, ele já tinha definhado a ponto de parecer visivelmente mais magro.
As faixas em seu corpo ainda estavam manchadas de sangue.
Até os lençóis estavam ensopados de vermelho.
Com as mãos tremendo, Carolina mandou uma mensagem para Lívia:
[Dá um pouco de água pra ele... Ou alguma coisa leve, líquida. Faz ele comer nem que seja um pouco.]
Lívia respondeu:
[Ele não come nem bebe. Os sinais vitais dele só estão se mantendo por causa do soro.]
O peito de Carolina apertou ainda mais.
[O ferimento dele está sangrando. Por que vocês não chamam um médico pra estancar isso?]
[Desde que acordou, ele não deixa ninguém tocar nele.]
Carolina ficou encarando a tela, sentindo o coração ser esmagado aos poucos.
[Por que ele está tão entregue assim?]
[Acho que porque, pra ele, continuar vivo já não faz mais sentido.]
Os dedos de Carolina tremeram.
[Ele ainda não quer me ver?]
[Não quer.]
Na semana seguinte, tudo o que Carolina soube sobre Henrique veio pelas mensagens de Lívia no WhatsApp.
Ele ficou no hospital por apenas sete dias antes de receber alta.
Segundo Lívia, o estado dele piorava a cada dia, e o corpo estava cada vez mais fraco.
Carolina também foi sendo consumida por aquela angústia. Passava os dias em transe, com a cabeça sempre nele, preocupada, aflita, querendo vê-lo e sem conseguir.
No oitavo dia, ao meio-dia, ela foi ao tribunal com Cláudio para a audiência.

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