Uma sombra de irritação atravessou o rosto de Victor. Ele pousou a xícara de café sobre a mesa com força.
— Por causa daquela mulher, Rick, você mudou. Mudou a ponto de não distinguir mais o certo do errado, nem o preto do branco. Agora está culpando seu tio por não usar a própria influência para ajudar Carolina?
— Eu não preciso mais da sua ajuda, tio. — Henrique sorriu de leve, sereno. — Só queria que o senhor soubesse que despreza a origem da Carolina, tem um preconceito enorme contra ela e, além disso, usa dois pesos e duas medidas.
Ao ter seu preconceito exposto daquela forma, o rosto de Victor escureceu. Ele apenas serviu mais café para si mesmo e bebeu em silêncio.
De repente, a atmosfera ficou gelada.
Depois de um longo momento, Victor assumiu a postura de homem mais velho, experiente, e começou a aconselhá-lo com gravidade.
— Rick, você ainda é jovem. O que está sentindo agora é só impulso. Ainda não entende como a vida funciona de verdade. Quando um homem escolhe bem a mulher que vai ter ao lado, a carreira avança, as portas certas se abrem e o prestígio vem naturalmente. Dentro de casa, ele ganha estabilidade. Quando tiver mais experiência, vai entender a importância de se casar com alguém do mesmo nível.
Henrique permaneceu calado.
Victor continuou, seguro de si:
— Veja a Letícia. Ela vem de uma família tradicional, respeitada. A mãe é de uma família de professores, gente culta. O pai ocupa um cargo alto no governo. Ela cresceu nesse meio, recebeu uma educação impecável e sabe exatamente como se portar. Esse é o tipo de mulher à altura de alguém da nossa família. Já a mulher que você escolheu...
Victor soltou um suspiro.
— Ah, Rick... É difícil até explicar. Além de bonita e um pouco mais inteligente que a média, ela não tem mais nada. Principalmente porque a família dela não ajuda em nada. A estrutura emocional também é frágil. Qualquer golpe um pouco mais forte já a empurra para a depressão. Uma mulher tão instável assim pode ajudar você em quê?
Henrique manteve a expressão tranquila. Seu tom saiu calmo, quase preguiçoso.
— Tio, o senhor tem a sua lógica. Eu tenho a minha. César e Letícia formam um casal do mesmo nível, como o senhor gosta de dizer. Carolina e eu somos duas pessoas que se escolheram de verdade. Então vamos deixar o tempo responder. Os fatos vão mostrar qual relação se sustenta melhor, e qual carreira chega mais longe.
Victor soltou um riso de desprezo, sem levar aquilo a sério.
Parecia zombar da ingenuidade de Henrique, como se aquela conversa inteira fosse uma grande tolice. Havia nele a arrogância típica de quem se julga superior apenas por ser mais velho.
Com bastante desdém, respondeu:
— Está bem. Então vou tratar de viver mais alguns anos para ver que grande futuro você ainda consegue construir com essa mulher e essa família que arrumou para si.
Henrique sorriu, como se tivesse entendido tudo. Não respondeu mais.
Apenas continuou bebendo café com calma.
Depois de um bom tempo, ouviu-se o som de um carro do lado de fora.
Henrique falara com naturalidade, como se estivesse apenas brincando. Mas, na verdade, já havia deixado um aviso.
Era como se cada movimento de César, cada palavra, cada gesto, estivesse ao alcance dele.
Uma tensão silenciosa se espalhou pela sala. César forçou um sorriso rígido.
— Um cientista da área aeroespacial agora acredita em astrologia?
— Eu só disse que sei observar sinais.
— Não entendo de sinais. O que você quer comigo?
— Alguns assuntos particulares. Quero conversar a sós com meu primo.
César se levantou e olhou para Victor.
— Pai, vou sair um instante com o Rick.
Depois de dizer isso, ajeitou os punhos da camisa e caminhou para fora.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Amar Foi Perder o Controle
Pq está dando erro na leitura do livro...
É sério . Está dando, pedindo pra acessar mais tarde, porém está cobrando dinheiro vulgo moedas, é errado isso...
Pq está cobrando moedas verso dinheiro e não estou conseguindo acessar o livro, pq dar um jeito de dar o acesso às moedas cobradas...
É possível obter o e-book completo?...