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Amar Foi Perder o Controle romance Capítulo 243

Henrique hesitou por um instante. Sem saber muito bem o que dizer, acabou avançando e passando por ela para entrar no apartamento.

— Eu mesmo procuro.

Carolina não viu motivo para impedi-lo. Recuou de imediato e encostou-se à parede ao lado da porta, abrindo passagem.

Assim que entrou, Henrique, por puro hábito, foi tirar os sapatos, mas interrompeu o gesto no meio.

Carolina também parou por um segundo, entendendo na mesma hora o motivo. Não havia chinelos para ele ali. Na verdade, ela nunca tinha cogitado receber visitas naquele apartamento.

Muito menos que a primeira delas seria Henrique.

— Não precisa tirar. O que foi que você veio buscar? — Disse ela, fechando a porta atrás de si.

O olhar de Henrique desceu devagar até os pés descalços dela, claros contra o piso de madeira. Seus olhos escureceram, e um leve vinco se formou entre as sobrancelhas.

— O chão não está frio?

Carolina baixou os olhos para os próprios pés. Os dedos se contraíram de leve, num gesto involuntário.

— Não...

Era verão. Chegar em casa e andar descalça não era a coisa mais normal do mundo?

Além disso, o chão estava limpo.

Henrique não quis sujar o piso e lhe dar mais trabalho depois. Tirou os sapatos e entrou apenas de meias pretas.

Carolina o acompanhou de perto.

Henrique lançou um olhar ao redor da sala. Estava tudo limpo e em ordem. Sobre o aparador, havia uma planta daquelas resistentes, que sobrevivem só com água. Na estante, alguns livros de direito. Na mesa de centro, um pequeno aquário de vidro, com pedrinhas coloridas no fundo... E uma tartaruguinha.

— Só uma? — Henrique apontou para a tartaruguinha na mesa de centro. — Quando você sai para trabalhar, ela deve ficar tão sozinha...

Carolina não entendeu por que ele estava prestando atenção justamente na tartaruga.

— Você não veio buscar uma coisa?

— Vim.

Henrique voltou a olhar em volta e, como não encontrava nada que pudesse de fato levar, abriu de propósito o rack da televisão e começou a mexer ali dentro.

— Eu tinha deixado um troféu aqui. Por que ele não está mais aqui?

— Que troféu?

— O de campeão da competição de design aeronáutico, no terceiro ano da faculdade.

Naquela época, Carolina já estava ao lado dele. Tinha acompanhado tudo de perto, da competição ao momento em que ele recebeu o prêmio. Sabia melhor do que ninguém o quanto aquele troféu significava para ele.

Havia alguma coisa naquele olhar... Uma força estranha, quase perigosa, capaz de bagunçar seu coração com facilidade.

— Se você não está doente, por que comprou tanto remédio?

— Comprei para deixar em casa. Vai que um dia eu precise.

Henrique soltou o ar devagar, pesadamente e assentiu.

— É... Realmente é bom ter alguns remédios em casa.

Carolina guardou a sacola no armário ao lado e depois se virou para ele.

— Já que não encontramos o troféu, será que você não levou sem perceber? Talvez só tenha esquecido onde guardou.

— Não. Ficou aqui. Fui eu que não levei quando saí.

Enquanto falava, Henrique caminhou até o sofá e se sentou.

Ela não o tinha convidado a sentar. A naturalidade quase descarada daquele gesto a deixou por um instante sem reação.

Carolina se aproximou, um pouco rígida, parou diante dele e, olhando de cima, falou em voz baixa, numa tentativa cautelosa de fazê-lo ir embora:

— Se eu encontrar, ligo para você na mesma hora. Já está tarde... Não acha melhor voltar para casa?

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