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Amar Foi Perder o Controle romance Capítulo 244

Henrique pegou o celular e conferiu a hora.

— Nem está tão tarde assim. Ainda não são nem dez.

Os dedos de Carolina se fecharam devagar.

De repente, sentiu o peito pesar.

Ele estava se fazendo de desentendido?

Ela praticamente o estava expulsando, e ainda assim ele permanecia ali, como se nada estivesse acontecendo.

Henrique se recostou no sofá, à vontade demais, e ergueu os olhos para ela.

— Estou um pouco cansado. Vou descansar aqui um instante. Pode continuar o que estava fazendo, não precisa se preocupar comigo.

— Isso não é apropriado, Henrique. — A inquietação já transparecia na voz dela. — É melhor você ir embora.

Da última vez, Daniela tinha lhe dado um tapa.

É verdade que depois veio a indenização, mas aquilo só deixava uma coisa clara: a noiva dele não era alguém com quem se pudesse brincar.

Henrique levou a mão ao peito, franzindo levemente a testa, e deixou o rosto assumir um ar de desconforto.

— Subi correndo agora há pouco... Meu coração ficou meio ruim. Me deixa descansar um pouco, pode ser?

Ele não sabia atuar.

O gesto, o tom, a encenação, tudo tinha um leve descompasso.

Falso demais.

Carolina soltou um suspiro contido.

Se cedesse uma vez, viria uma segunda. Depois uma terceira. Ela não podia abrir essa brecha.

— Você está fin...

Antes que conseguisse terminar, o celular sobre a mesa começou a tocar.

Henrique foi o primeiro a ver o nome na tela.

Cláudio.

Só de ler, algo afundou dentro dele. Um peso súbito tomou conta do peito.

Carolina pegou o celular, atendeu e levou ao ouvido. Em seguida, virou-se e seguiu para o quarto.

— Oi, Clau.

Aquele apelido tinha sido imposição do próprio Cláudio.

Na hora do almoço, eles tinham se encontrado para tratar do caso. "Senhor Cláudio", segundo ele, soava formal demais. Por isso, exigira que ela o chamasse de Clau, ou romperia a parceria na mesma hora.

Tratava-se de uma disputa comercial de duzentos milhões.

Cinco por cento de honorários significavam dez milhões.

Se ganhasse, metade da comissão do escritório ficaria com ela: cinco milhões.

Quantos não dariam tudo por uma oportunidade dessas? Quantos não estavam de olho, esperando qualquer deslize para tomar o caso dela?

Carolina estava justamente na fase de lutar com tudo pela própria carreira.

Ganhar cinco milhões em um único processo mudaria tudo.

Diante disso, chamá-lo de Clau era o de menos.

Se fosse preciso, chamaria até de pai.

Do outro lado da linha, Cláudio perguntou:

— Carol, você já foi dormir?

Carolina entrou no quarto, fechou a porta e se sentou na beira da cama.

— Se for sobre trabalho, ainda estou acordada. Se for assunto pessoal, então já estou indo dormir.

Henrique ficou imóvel.

Eles ainda estavam ao telefone.

Quando namorava com ele, Carolina nunca passava tanto tempo assim em uma ligação.

Ela sempre fora reservada, contida. Não era do tipo que se apegava fácil, muito menos de ficar de chamego no telefone ou estender conversa sem motivo.

Então... O que exatamente ela tinha tanto para dizer a Cláudio?

Os dedos de Henrique se fecharam lentamente até virarem um punho e, no instante seguinte, se soltaram com força.

Ele fechou os olhos, inclinou a cabeça para trás e puxou o ar fundo, tentando aliviar a dor que apertava seu peito.

Depois, em silêncio, com passos pesados, virou-se e foi embora.

A porta se fechou.

E o que restou foi apenas o vazio no apartamento.

Do outro lado, Cláudio se apoiava em assuntos de trabalho para esticar a conversa, desviando aqui e ali, prolongando o diálogo o máximo que podia. Carolina, por ele ser o cliente, acabou tolerando.

Uma hora depois, enfim, a ligação terminou.

Carolina saiu do quarto com o celular na mão.

A sala estava vazia.

O olhar dela passou pelo sapateiro junto à entrada. Os sapatos dele já não estavam mais lá.

Ela apressou o passo até a varanda, abriu a porta de vidro e se inclinou sobre o parapeito, olhando para baixo.

Nada.

Nenhum sinal de Henrique.

Nem mesmo o carro que costumava ficar estacionado ali embaixo.

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