No quarto mergulhado na penumbra, Carolina encarava a silhueta alta diante dela. O coração disparou sem aviso, e a respiração perdeu o ritmo.
Ele falava aquilo com a maior naturalidade… Enquanto soltava o cinto bem na frente dela.
Carolina sabia que Henrique não era o tipo de homem que forçaria uma situação. Não tinha medo de que ele simplesmente avançasse.
Mas aquilo…
Era provocação.
Clara. Calculada.
Ela passou a língua pelos lábios, tentando manter a firmeza na voz:
— Vamos fazer o seguinte… Cada um cede um pouco. Deixa em 26 graus, pode ser?
— Pode. — Ele respondeu na hora e seguiu, no escuro, em direção ao banheiro. — Vou tomar um banho. Pede pra entregar aqui uma roupa de dormir e uma cueca pra mim.
Carolina se sentou na cama de um salto.
— Henrique, você tá passando dos limites! Eu deixei você dormir aqui uma noite e você já quer abusar? Agora vai tomar banho aqui e ainda quer que eu compre cueca pra você?
Henrique empurrou a porta do banheiro e acendeu a luz. O brilho quente invadiu parte do quarto. Ele se virou para encará-la.
Sob a luz amarelada, os traços dele pareciam ainda mais definidos. Sem camisa, ombros largos, cintura estreita, um corpo quase irritantemente perfeito.
Como se não percebesse a reação dela, falou com a maior calma:
— Você não esqueceu meu tamanho, né? Aproveita e pede um par de chinelos… E umas coisas de higiene também.
Carolina ficou sem resposta.
Quando alguém te deixa assim, sem reação, só dá pra rir de nervoso.
Ela soltou uma risada seca, meio sem controle.
Henrique entrou no banheiro com um leve sorriso escondido no olhar e fechou a porta.
Logo, o som da água preenchia o silêncio do quarto.
Carolina mordeu o lábio inferior, fechou a mão em punho e deu duas batidas no colchão. Entre vergonha e irritação, puxou o ar fundo, uma vez, depois outra, tentando organizar o turbilhão dentro do peito.
Resmungou, quase num sussurro:
— Que ódio… Ele não tá bêbado coisa nenhuma. Tá fingindo, só pode… Absurdo…
Mesmo reclamando, pegou o celular e acabou fazendo o pedido.
Porque, se não comprasse, ele era bem capaz de sair do banheiro daquele jeito mesmo. Ou pior… Dormir sem nada.
Henrique sabia muito bem fazer cena. Sabia exatamente como conduzir a situação.
Com essa história de estar bêbado, ele conseguiu entrar na casa dela, se instalar como se fosse rotina… E ainda já estava providenciando até coisas pessoais.
Claramente, pretendia voltar.
"Será que eu sempre fui ingênua demais com esse homem?"
— Antes, quando a gente tava junto, você dividia a toalha comigo… Agora que terminou, passou a me achar sujo?
Carolina quase esmagou a própria mão de tanta força.
Esse homem… Além de provocador e sem vergonha, ainda tinha uma cara de pau absurda.
— Henrique, você não tem noção de limite? Não é porque terminou o noivado que pode fazer o que quiser na casa da ex.
Ele não respondeu.
Quando finalmente foi pegar a toalha, os dedos dele roçaram de leve a palma da mão dela.
Gelado, provavelmente por causa do banho.
Um toque simples.
Mas nada inocente.
A ponta dos dedos passou como uma pena, quase imperceptível.
E, ainda assim, foi como um choque.
A sensação percorreu a mão e se espalhou pelo corpo inteiro.
O coração de Carolina falhou um instante.
Ela fechou a mão na mesma hora e puxou de volta.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Amar Foi Perder o Controle
Pq está dando erro na leitura do livro...
É sério . Está dando, pedindo pra acessar mais tarde, porém está cobrando dinheiro vulgo moedas, é errado isso...
Pq está cobrando moedas verso dinheiro e não estou conseguindo acessar o livro, pq dar um jeito de dar o acesso às moedas cobradas...
É possível obter o e-book completo?...