Com medo de que ele saísse do banheiro só enrolado na toalha, Carolina voltou rápido para a cama. Apagou a luz, se virou de lado e se cobriu com o lençol leve, mantendo os olhos fechados.
Quando a visão desaparece, os outros sentidos se aguçam.
E ela não conseguia evitar.
Toda a sua atenção estava voltada para ele.
Logo, ouviu a porta do banheiro se abrir.
Passos descalços, firmes, silenciosos, se aproximaram. Ele passou ao lado da cama, e o cheiro suave de sabonete recém usado se espalhou no ar.
Leve… Quase como um sopro roçando sua respiração.
O coração falhou um instante.
Ele saiu do quarto e foi até a sala.
Alguns minutos depois, uma batida na porta. Henrique voltou com as coisas.
Dessa vez, havia o som de chinelos.
Entrou novamente no banheiro, vestiu a cueca e a roupa de dormir, terminou de se arrumar e saiu.
Em seguida, se deitou.
O quarto mergulhou outra vez no silêncio.
Só se ouviam as respirações suaves dos dois… E os dois corações inquietos.
Carolina não tomou o remédio para dormir. O sono não vinha fácil, mas o corpo estava exausto.
Mesmo assim, com Henrique ali, havia uma estranha sensação de segurança. Pela primeira vez em muito tempo, sua mente parecia em paz.
Ela não sabia quanto tempo tinha passado quando a voz dele surgiu na escuridão — baixa, rouca, quase um sussurro:
— Carolina… Você já dormiu?
Ela hesitou alguns segundos antes de responder, também em voz baixa:
— Ainda não.
— Amanhã é fim de semana… Você não trabalha, né?
— Não.
— Quer conversar um pouco?
— Sobre o quê?
— O trabalho… Tá indo bem?
— Tá.
— E morar na Nova Capital… Já se acostumou?
— Já.
Houve uma pequena pausa.
— O Cláudio tá dando em cima de você?
A pergunta veio de repente.
Carolina travou.
Ficou em silêncio.

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