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Amar Foi Perder o Controle romance Capítulo 263

No silêncio denso da madrugada, Carolina guardou na geladeira o que tinha sobrado do lanche, escovou os dentes e foi se deitar.

Tomou o remédio para dormir, deitou-se, mas continuou se virando de um lado para o outro, incapaz de pegar no sono. Acabou pegando o celular e abrindo a conversa com Henrique.

De repente, apareceu no alto da tela: "digitando..."

O peito dela se apertou de leve.

No instante seguinte, o aviso sumiu. Nenhuma mensagem chegou.

Alguns segundos depois, surgiu de novo: "digitando..."

E ficou assim, aparecendo e desaparecendo, uma vez após a outra.

Mas Henrique nunca mandava nada.

Depois de esperar mais um pouco, Carolina soltou um suspiro pesado, apagou a tela do celular, deixou o aparelho no criado-mudo e se deitou de lado, fechando os olhos ainda úmidos.

Henrique também estava pensando nela.

Mas não conseguia encontrar sequer um pretexto, uma desculpa qualquer, para mandar uma mensagem no WhatsApp.

Naquela noite, nenhuma mensagem dele chegou.

E Carolina adormeceu em meio às lágrimas.

Ela não sabia se aquilo tinha sido efeito da denúncia na polícia ou fruto da própria mente, mas, nos dias que se seguiram, teve a sensação de que a pessoa que a seguia simplesmente havia desaparecido.

Só que, uma semana depois, ao voltar do trabalho à noite e empurrar a porta para entrar em casa, viu uma folha de papel branca ser enfiada pela fresta.

Ela se abaixou, pegou o bilhete e leu:

[Toda dívida será cobrada. O acerto de contas virá, só ainda não chegou a hora.]

Carolina se assustou tanto que imediatamente trancou a porta, passando todas as voltas da chave.

Em seguida, entrou em contato com a administração do condomínio para pedir acesso às câmeras de segurança.

Nas imagens, apareceu uma pessoa baixa, vestida de preto, usando boné e máscara, entrando escondida atrás de outros moradores. A figura foi direto até a porta do apartamento dela, enfiou o bilhete por baixo e foi embora.

Carolina voltou à delegacia para registrar outra ocorrência.

Só que, na prática, o bilhete não continha uma ameaça concreta. Além disso, a polícia não conseguiu ver o rosto da pessoa nas imagens, apenas concluir, pelo porte físico, que provavelmente se tratava de uma mulher.

Em Nova Capital, as únicas mulheres em quem Carolina conseguia pensar eram Lílian e Daniela.

Mas nenhuma das duas parecia capaz de fazer uma coisa tão mesquinha, tão infantil e tão sem noção. Além disso, ela nem estava com Henrique. Não devia nada a nenhuma delas.

Sem conseguir descobrir quem era aquela mulher misteriosa, Carolina passou os dias mergulhada numa inquietação constante, sempre à beira do desassossego.

— Eu pedi para você parar de mandar. Você insistiu e continuou enviando flores todos os dias. Depois que me deu, eu tenho o direito de decidir o que fazer com elas.

— Carol, você está mesmo partindo meu coração.

— Então para de mandar.

— A menos que você aceite ser minha namorada, eu vou continuar mandando. Aí você faz o que quiser com elas.

Depois de recusá-lo tantas vezes, sem que isso adiantasse nada, Carolina já estava exausta. Sem mudar o tom, continuou folheando os documentos que tinha nas mãos.

— Tem mais alguma coisa?

A voz de Cláudio mudou. Ficou mais sincera, quase cuidadosa:

— Amanhã é meu aniversário. Vai ter um jantar lá em casa. Você precisa ir.

— Feliz aniversário adiantado. Eu talvez não...

Carolina ia recusar, mas Cláudio a interrompeu antes que ela terminasse:

— Como minha advogada, se você não for, vai pegar muito mal para mim.

Carolina hesitou.

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