Do lado de fora do quarto VIP, Carolina permaneceu encostada à parede, esperando a família Queiroz sair.
A espera se arrastou.
Só muito tempo depois eles começaram a deixar o quarto, um a um.
Lívia foi a última.
Parou diante de Carolina e disse em voz baixa:
— Carol, vai embora.
— Posso entrar pra ver o Henrique? — Carolina retorceu a barra da roupa entre os dedos, tomada pela ansiedade. — Eu só queria olhar pra ele por um instante.
Lívia balançou a cabeça. Baixou os olhos e soltou um longo suspiro.
— Me desculpa, Carol. Meu irmão não quer te ver.
Carolina franziu a testa, sem entender.
— Por quê? — Ela se apressou em explicar. — Eu não me casei no cartório com o Cláudio. Eu não sou esposa do amigo dele... Eu só quero ver o Henrique, saber como ele está, ver o quanto se machucou... Ele está bem?
A expressão de Lívia se fechou ainda mais.
— Não. Ele quebrou as costelas... E a perna também ficou comprometida. Talvez nunca mais volte a andar. E ele também se decepcionou de vez com você. Não quer mais ter nada a ver com você. Mandou que eu dissesse pra você ir embora.
A mente de Carolina ficou em branco.
Só uma frase ecoava sem parar dentro da cabeça:
"Talvez ele nunca mais volte a andar."
As pernas dela cederam de repente.
Cambaleou para trás e só não caiu porque se apoiou na parede, usando-a para sustentar um corpo que já não tinha mais forças.
A culpa a atravessou como agulhas cravadas no peito.
Os dedos gelados se fecharam em punhos. Ela abaixou a cabeça, mordeu com força o lábio inferior e suportou em silêncio a dor que se espalhava do coração para o resto do corpo.
Lívia não disse mais nada. Virou-se, entrou no quarto e fechou a porta.
Carolina ficou parada diante dela por muito, muito tempo.
Só quando o corpo já estava prestes a desabar foi que começou a se afastar, apoiando-se na parede.
Ela não saiu do hospital.
Foi se sentar na mureta do jardim, do lado de fora da entrada principal, e permaneceu ali, olhando em silêncio para o céu que escurecia, com o coração completamente vazio.

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