No jardim dos fundos, Enrico falou apenas sobre o caso do pai dela.
Quanto ao fato de ter lhe devolvido a esperança mesmo sem nenhuma prova concreta...
Carolina pensou por alguns instantes e chegou à própria conclusão. Talvez Enrico não quisesse que ela desistisse de Henrique. Talvez estivesse tentando fazer algo por ele e, ao mesmo tempo, reacender a força que ela vinha perdendo aos poucos.
Carolina percebeu a boa intenção por trás daquilo.
E foi grata.
Quando saíram do jardim, Enrico voltou para a sala, e Carolina veio logo atrás. Assim que ergueu os olhos para o salão, percebeu que ali só havia homens, risadas soltas, conversa franca, um clima leve, despreocupado.
Não havia cheiro de cigarro nem de álcool.
Só o aroma do café e aquela franqueza sem cerimônia, uma cumplicidade masculina morna e silenciosa, leve e profunda ao mesmo tempo.
Carolina desacelerou os passos.
Teve medo de estragar o clima só por se aproximar.
Mas, no breve instante em que hesitou, Henrique encontrou seu olhar. Havia nos olhos dele uma luz intensa, mas serena.
Então ele ergueu a mão e fez um gesto, chamando-a para perto.
Os outros também notaram o movimento e viraram o rosto na mesma direção, olhando para ela de uma vez só.
Henrique a chamou sem o menor constrangimento, com a naturalidade de quem já a via como parte dali.
As palmas de Carolina ficaram úmidas. Ela esfregou os dedos discretamente, num gesto nervoso, e se aproximou. Parou ao lado de Henrique e baixou a cabeça para olhá-lo.
— O que foi?
Tranquilo como sempre, Henrique segurou a mão dela.
— Senta aqui com a gente. Fica mais um pouco.
Na mesma hora, um dos amigos já tinha corrido até a sala de jantar e voltado com uma cadeira. Colocou-a atrás de Carolina e abriu um sorriso caloroso.
— Carolina, senta aqui.
Quando ela virou o rosto, deu de cara com a cadeira e com o sorriso aberto do homem.
— Obrigada.
Depois de agradecer, sentou-se ao lado de Henrique.
A mão dele continuava entrelaçada à sua, sem soltá-la por um instante sequer.
A palma era áspera, quente, firme, larga. Um toque que passava segurança.
Mesmo cercada pelos amigos dele, Carolina não se sentiu deslocada. Pelo contrário. Parecia que todos, de propósito, conduziam a conversa de um jeito que também a acolhia.
A roda seguia animada quando alguém perguntou, por curiosidade:
Cláudio pareceu se embananar.
— Na verdade, eu e...
— Cláudio é meu cliente.
Carolina o interrompeu de repente, em voz firme, sem dar espaço para que ele terminasse. Em seguida, contornou o ponto mais delicado com calma:
— Além disso, eu o conheço por causa do Rick desde seis anos atrás. Dá pra dizer que também somos amigos. Mas nunca existiu entre nós esse tipo de relação que o primo dele está insinuando, muito menos qualquer coisa que pudesse levar a casamento.
A expressão do primo fechou, mas ele ainda forçou um sorriso hipócrita.
— Só que o Rick realmente sofreu o acidente na frente do cartório. Vocês não estavam indo registrar o casamento?
Sem se alterar, Carolina voltou os olhos para Cláudio. Sua calma chegava a impressionar.
— Cláudio, então o que o primo do Rick está dizendo é que você ia se casar com a namorada do seu amigo. É isso mesmo?
A pergunta, afiada como uma lâmina, foi lançada diretamente contra ele.
Cláudio ficou ainda mais acuado, ainda mais constrangido.
Porque, se admitisse uma coisa daquelas, seria massacrado pelos próprios amigos.
Afinal, ao longo de mais de dez anos, Henrique e Carolina passaram por idas e vindas, mas, no fundo, nunca tinham realmente se separado.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Amar Foi Perder o Controle
Pq está dando erro na leitura do livro...
É sério . Está dando, pedindo pra acessar mais tarde, porém está cobrando dinheiro vulgo moedas, é errado isso...
Pq está cobrando moedas verso dinheiro e não estou conseguindo acessar o livro, pq dar um jeito de dar o acesso às moedas cobradas...
É possível obter o e-book completo?...