As palavras de Henrique tinham um quê de falsa modéstia, mas, ainda assim, despertaram nela uma pontada de inveja.
Só alguém como Henrique reunia ao redor de si tantos amigos extraordinários. E praticamente todos se destacavam muito acima da média.
O sorriso dela se alargou, luminoso e encantador.
Foi então que Enrico se aproximou.
— Posso roubar sua namorada por um instante?
Henrique ergueu os olhos, cauteloso.
— Pra quê?
Sem entender, Carolina virou o rosto e ergueu a cabeça para encará-lo.
Enrico era o tipo de homem duro de verdade, firme como aço. Calmo, contido, imponente. Sua presença pesava. Onde quer que estivesse, até o ar ao redor parecia se tornar mais solene.
Com um leve sorriso nos lábios, ele enfiou uma das mãos no bolso da calça preta.
— Só quero trocar algumas palavras com ela, a sós. Está com medo de quê?
Carolina se levantou devagar. Primeiro, olhou para Enrico com a serenidade de sempre. Depois voltou os olhos para Henrique e enxergou, no fundo deles, uma tensão mal disfarçada.
Naquele instante, entendeu exatamente do que ele tinha medo.
Henrique achava que a família tentaria convencê-la a ir embora.
Mas aquilo já não fazia mais sentido.
Agora, ninguém conseguiria afastá-la dele.
Carolina se inclinou, pousou a mão sobre a de Henrique e apertou de leve, num gesto silencioso de consolo. Depois falou baixinho, com doçura:
— Rick, vou conversar um pouco com o Enrico no jardim dos fundos. Fica aqui com os seus amigos.
Henrique não respondeu.
Carolina seguiu Enrico em direção ao jardim. Durante todo esse tempo, o olhar de Henrique permaneceu preso às costas dela. Só quando sua silhueta desapareceu por completo do campo de visão dele é que ele soltou um suspiro pesado e conduziu a cadeira de rodas até a área dos sofás, juntando-se aos amigos.
A conversa entre eles seguia leve e animada, mas Henrique estava longe dali. De tempos em tempos, seus olhos escapavam para o jardim dos fundos, e seu semblante, sem que ele percebesse, ficava cada vez mais carregado.
Um dos amigos notou sua distração e entrou na brincadeira:
— Rick, seu pescoço não está doendo? Você olha pra lá tantas vezes que já está mais regular que o trajeto do robô aspirador lá de casa.
Todos caíram na risada.
Henrique também sorriu, sem graça.
— Enrico, você encontrou alguma prova?
— Não.
— Então o que quis dizer com aquilo agora há pouco?
— Não havia câmera na sala, isso é fato. Mas, cruzando as imagens da câmera da entrada com o vídeo entregue pela Amanda, existe uma janela de quarenta segundos entre o som da pá de ferro acertando a cabeça e o momento em que seu pai saiu correndo da sala.
— E o que dá pra fazer em quarenta segundos?
Enrico soltou uma risada baixa.
— Pra uma pessoa comum, quarenta segundos podem não parecer muita coisa. Mas, pra nós, da polícia, é tempo suficiente para matar alguém e ainda esconder os vestígios. Para um campeão dos quatrocentos metros, basta para cruzar a pista inteira. E, para o Rick, quarenta segundos depois do lançamento, um foguete já rompeu a barreira do som e segue rumo ao espaço a mais de mil quilômetros por hora. — Ele fez uma pausa breve. — Dá pra fazer coisa demais em quarenta segundos.
Os dedos de Carolina tremeram ao se fecharem com força sobre o corrimão de madeira.
Lá no fundo, aquelas cinzas apagadas voltaram a arder.
A emoção veio como uma onda violenta, atravessando seu corpo inteiro, e seu coração bateu tão forte que quase doeu.
Ainda não havia prova nenhuma.
Mas aquela lacuna de quarenta segundos devolvia a ela a esperança.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Amar Foi Perder o Controle
Pq está dando erro na leitura do livro...
É sério . Está dando, pedindo pra acessar mais tarde, porém está cobrando dinheiro vulgo moedas, é errado isso...
Pq está cobrando moedas verso dinheiro e não estou conseguindo acessar o livro, pq dar um jeito de dar o acesso às moedas cobradas...
É possível obter o e-book completo?...