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Amar Foi Perder o Controle romance Capítulo 357

Cláudio deu de ombros, com a expressão mais inocente do mundo.

— Eu? Nada. Minha advogada desmaiou no meio da audiência. Trouxe você pra cá pra ser atendida, simples assim. Ainda mais considerando que a equipe médica daqui é de primeira. Em hospital, médico mal tem tempo… Quando muito, três minutos por paciente. Não dá nem pra comparar.

Carolina mordeu o lábio, lançando-lhe um olhar cortante. A irritação fervia por dentro.

Sem entender o que ele realmente queria, calçou os sapatos, pegou a bolsa e saiu sem dizer mais nada.

Cláudio foi atrás.

— O médico disse que você está bem debilitada. Fica aqui e descansa direito…

Ela fingiu que não ouviu. Desceu as escadas apressada e, ao atravessar a sala, viu Lílian sentada no sofá, distraída com o celular.

Lílian levantou os olhos devagar, com aquele ar de superioridade de sempre, e sorriu de canto.

— Carolina… Sinceramente, eu não esperava menos de você. Depois de tantos anos, continua com esse hábito de não largar um lado nem outro. Antes era Rick e Marcelo. Agora… Rick e o meu irmão.

Carolina nem se deu ao trabalho de responder.

Mas, no instante em que viu quem acabava de entrar, seus passos falharam. O corpo inteiro enrijeceu.

Seguindo a direção do olhar dela, Lílian se levantou num salto, largou o celular e abriu um sorriso radiante.

— Rick!

Cláudio também já tinha descido. Ao ver Henrique cruzando a porta em uma cadeira de rodas, parou onde estava, com um leve sorriso nos lábios.

A luz do entardecer, tingida de laranja e vermelho, envolvia Henrique.

Ele avançava contra o brilho do pôr do sol, recortado pelas nuvens em chamas.

As mangas da camisa branca estavam dobradas até os antebraços firmes. Veias azuladas marcavam a pele. Os dedos, tensos, apertavam o apoio da cadeira. O rosto bonito estava fechado, e o olhar… Frio, distante.

— Rick, que bom que você veio. — disse Cláudio, tranquilo. — A Carolina acabou de acordar. Chegou na hora certa.

O coração de Carolina apertou.

Não precisava pensar muito para entender: tinha sido Cláudio quem o chamou.

Ele percebeu que ainda havia distância entre ela e Henrique? Estava provocando de propósito?

E Henrique… Tinha ouvido o que Lílian disse?

Nos últimos dez dias, ela mal tinha tido tempo para respirar e acabou deixando Henrique de lado.

E ele, que já não confiava totalmente nela… Vendo aquela cena, acordando na casa de Cláudio…

Ia entender tudo errado?

O pânico veio de uma vez. Pensamentos confusos tomaram conta dela.

Henrique parou a poucos passos.

Olhou para Carolina.

Educado, mas distante.

Logo em seguida, voltou a atenção para Carolina. A voz suavizou um pouco.

— Carol, vamos pra casa.

Ela se aproximou, querendo empurrar a cadeira.

Mas, antes que tocasse nela, Henrique já a conduzia sozinho em direção à saída.

A mão dela ficou suspensa no ar.

Ficou assim por alguns segundos.

Observando as costas dele se afastando, sentiu o peito apertar de um jeito sufocante. O humor despencou de vez. Então acelerou o passo para alcançá-lo.

Do lado de fora, o motorista já aguardava ao lado do carro.

Henrique se aproximou, e a porta foi aberta imediatamente.

Carolina tentou ajudá-lo, mas ele já havia se apoiado e entrado no banco traseiro sozinho.

Naquele instante, o coração dela pareceu afundar sem fundo.

Uma exaustão profunda, quase desesperadora, tomou conta.

Sem dizer nada, deu a volta até o outro lado e entrou no carro.

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