Carolina percebeu o quanto Larissa estava abalada. Sem dizer nada, estendeu a mão e pousou de leve sobre o punho que ela apertava com tanta força que chegava a tremer.
— Coloca no viva-voz.
Leandro franziu a testa, irritado com a interferência. Apertou os dentes, soltou um suspiro pesado e ativou o alto-falante.
Logo, a voz doce e levemente afetada de Vitória tomou conta da sala:
— Lê, obrigada por me levar em casa ontem à noite… E por cuidar de mim também. Por beber no meu lugar, por me proteger daqueles homens nojentos… Eu nem sei como te agradecer. Hoje à noite vem jantar aqui em casa. Vou preparar tudo com carinho, comida da minha terra, pra te receber direitinho.
O áudio terminou.
Leandro ficou em silêncio.
Larissa abaixou a cabeça. Um sorriso amargo surgiu nos lábios, enquanto seus olhos já se enchiam de lágrimas. O corpo tremia, tomado pela raiva contida, e ela cerrava os dentes com força para não perder o controle.
Até a mediadora não conseguiu disfarçar o incômodo.
A sala mergulhou em um silêncio pesado, sufocante.
Depois de um tempo que pareceu longo demais, Leandro finalmente falou:
— Ontem à noite eu só acompanhei ela num compromisso de trabalho. Ela estava sozinha, cercada de clientes homens… Não era seguro. Quando bebeu demais, chamei um motorista pra levar ela pra casa. Fui junto porque fiquei preocupado. Assim que vi que ela tinha chegado bem, fui embora. Entre a gente não tem nada. Não aconteceu nada.
Larissa não respondeu.
Com os olhos marejados, apenas o encarava.
Aquele olhar o deixou inquieto, quase desesperado.
Sem pensar duas vezes, ele pegou o celular e mandou um áudio para Vitória:
— Não precisa agradecer. Foi só uma questão de educação. A partir de agora, é melhor a gente não se falar mais. Vamos excluir o contato.
Assim que enviou, bloqueou Vitória na frente de Larissa.
Apagou o contato, removeu o número da agenda, eliminou qualquer forma de contato — sem deixar vestígios.
Em seguida, entregou o celular a ela.
— Agora tá satisfeita?
Agora tá satisfeita?
As palavras atingiram Larissa como uma lâmina cravada direto no peito.
Ela virou o rosto e olhou para Carolina.
Carolina evitou se envolver.
— Essa decisão é sua.
Larissa pensou no filho pequeno.
Depois de um longo momento em silêncio, tomou sua decisão.
Henrique estava sentado ali, descalço. Tomás descansava sobre sua perna saudável. Com um braço, ele o mantinha aconchegado contra o peito, com a outra mão, segurava um livrinho ilustrado, contando a história com entusiasmo, dando vida a cada som.
— O patinho… Quá, quá, quá… Pulou na água… Glub, glub…
Tomás segurava um chocalho na mão esquerda e um patinho amarelo na direita. Observava fascinado o movimento dos lábios de Henrique, encantado com a entonação animada. De repente, caiu na risada, soltando gargalhadas leves e gostosas.
Diante daquela cena acolhedora, o coração de Carolina se apertou, uma mistura de ternura e tristeza.
Ela tinha pedido para Henrique contratar alguém para cuidar do bebê durante o dia… Não esperava que ele mesmo assumisse tudo.
E ainda estava machucado.
Dar comida, trocar fralda, fazer dormir, brincar… Cuidar de um bebê de sete meses não era nada fácil.
Mas naquele momento, Tomás estava tranquilo, feliz, rindo à toa.
Era evidente o quanto gostava de Henrique.
— Tomás… — Chamou Larissa.
Henrique e o bebê levantaram a cabeça ao mesmo tempo.
O olhar de Henrique encontrou Carolina, suave, carregado de afeto.
Já Tomás, ao ver Larissa, se animou imediatamente. Escorregou do colo de Henrique e começou a engatinhar na direção dela.
Com apenas sete meses, engatinhava rápido demais.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Amar Foi Perder o Controle
Pq está dando erro na leitura do livro...
É sério . Está dando, pedindo pra acessar mais tarde, porém está cobrando dinheiro vulgo moedas, é errado isso...
Pq está cobrando moedas verso dinheiro e não estou conseguindo acessar o livro, pq dar um jeito de dar o acesso às moedas cobradas...
É possível obter o e-book completo?...