Depois que Sabrina saiu, Júlia murmurou baixinho:
— Ela é meio estranha.
— Ela não costuma ser assim.
Carolina largou os talheres na hora, pegou o celular e ligou para Henrique.
Ele atendeu rápido. Do outro lado da linha, a voz veio baixa, suave:
— Carol, hoje vou precisar fazer hora extra. Talvez eu chegue mais tarde.
— Eu sei. — Disse Carolina. — Rick, foi você que pediu para a Sabrina preparar caldo de mocotó para mim?
— Fui. Caldo de mocotó faz bem para grávida.
— Mas eu não quero tomar.
— Então não toma. Dá para a Sabrina, ou deixa aí que eu tomo quando chegar.
— Só que a Sabrina ficou insistindo. Disse que, se eu não tomasse, ela não teria como se justificar com você. Eu só queria entender por que você colocou tanta pressão nela.
Henrique ficou em silêncio.
Como ele não respondeu, Carolina chamou de novo:
— Rick? Você está me ouvindo?
De repente, a voz dele mudou. Veio urgente, séria, pesada:
— Carol, não tome esse caldo. Não encoste em nada dessa comida. Arrume uma desculpa para mandar a Sabrina sair e guarde tudo para mim: o caldo e os pratos.
— Você está desconfiando da Sabrina?
Carolina ficou tensa e olhou na direção da cozinha.
Foi exatamente nesse instante que viu Sabrina parada na porta, encarando-a.
Quando seus olhares se cruzaram, Sabrina se apressou em voltar para dentro da cozinha.
A voz de Henrique ficou ainda mais grave:
— Melhor desconfiar à toa do que deixar passar qualquer risco.
— Tá…
Carolina não questionou a cautela dele. Afinal, Henrique sempre fora cuidadoso em tudo.
Depois de desligar, ela se virou para a cozinha e chamou:
— Sabrina, me deu uma vontade enorme de comer manga verde com sal. Você pode pegar o carro e comprar para mim?
Naquele momento, Júlia estava prestes a levar uma colherada de sopa à boca. Carolina segurou sua mão de imediato e sussurrou:
— Não toma ainda.
[Eu não estou sentindo nada. Você não acha que está ficando nervoso demais? Mobilizar tanta gente assim…]
[Não vou permitir que você e o bebê corram o menor risco. Faz isso por mim, Carol.]
[Tá bom.]
Ela também amava profundamente o bebê que carregava. Mais do que qualquer pessoa, Carolina tinha medo de que algo acontecesse com ele.
Ao chegar ao hospital, fez todos os exames. Os alimentos também foram entregues à diretora, que os encaminhou para análise.
Já era tarde da noite. Carolina e Júlia não tinham jantado e estavam morrendo de fome. No fim, os exames mostraram que Carolina não tinha nada grave, e o bebê também estava bem.
A comida não apresentava nenhum problema.
Mas, no caldo de mocotó, encontraram substâncias presentes em um medicamento abortivo.
Assim que Henrique recebeu a notícia por telefone, saiu às pressas do trabalho e foi para o hospital com a polícia.
Ao verem o resultado da análise, os policiais imediatamente destacaram uma equipe para prender Sabrina.
No quarto do hospital.
Carolina estava sentada na cama, ainda tomada pelo susto. As mãos estavam frias; o rosto, pálido.
Henrique segurava aquelas mãos geladas com força, envolvendo-as entre as suas, quentes. Esfregava-as de leve, repetidas vezes, com uma delicadeza que quase doía.
— Não fica com medo, tá? Ainda bem que a gente percebeu a tempo. Você e o bebê estão bem. Agora está tudo bem.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Amar Foi Perder o Controle
Pq está dando erro na leitura do livro...
É sério . Está dando, pedindo pra acessar mais tarde, porém está cobrando dinheiro vulgo moedas, é errado isso...
Pq está cobrando moedas verso dinheiro e não estou conseguindo acessar o livro, pq dar um jeito de dar o acesso às moedas cobradas...
É possível obter o e-book completo?...