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Amar Foi Perder o Controle romance Capítulo 57

Carolina caminhava em direção à casa, com as sacolas de compras nas mãos.

Ao lado da calçada do condomínio, grandes árvores se alinhavam. A luz do sol atravessava as copas densas, projetando sombras irregulares no chão. Uma brisa leve passou, levantando suavemente os fios de cabelo junto à sua testa e trazendo um frescor quase reconfortante.

— Carol.

A voz masculina, suave e clara, soou atrás dela.

Carolina estacou, tomada pelo susto, e se virou bruscamente.

Antes mesmo de conseguir distinguir o rosto à sua frente, um corpo envolto em um perfume intenso avançou e a puxou para um abraço apertado.

— Surprise. — Disse o homem, animado.

Aquilo não era surpresa. Era um choque.

Carolina o empurrou de leve, tentando se desvencilhar.

Marcelo segurou o rosto dela com as duas mãos.

— Meu amor, tava morrendo de saudade.

Ela esboçou um sorriso amargo.

— Quando você voltou?

— Ontem. Fui ver a Lari primeiro, minha linda. Você tinha mudado de casa, trocado de número. Pedi seu endereço pra ela e vim correndo te ver hoje.

— Vai ficar quanto tempo dessa vez?

— Agora eu voltei pra ficar. — Marcelo passou o braço pelos ombros dela. — Vem, me leva lá pra sua casa. Vamos sentar um pouco, conversar.

Os pés de Carolina pareciam cravados no chão. Ela permaneceu imóvel, claramente contrariada.

— Não. Melhor não ir pra minha casa. Vamos chamar a Lari e marcar algo fora.

Marcelo semicerrrou os olhos, com um sorriso cheio de segundas intenções.

— O Henrique veio trabalhar em Porto Velho, né. E ainda tá morando com você. — Ele riu baixo. — O que foi? Vocês reataram?

— Não. — Carolina balançou a cabeça.

— Ainda bem. — Marcelo a puxou mais para perto, num gesto possessivo. — O homem que você não quis… Já tá na hora de passar pra mim.

Com o braço firme em torno dos ombros dela, ele a conduziu à força para frente.

Carolina voltou a afastar a mão dele, agora claramente irritada.

Marcelo tinha um rosto bonito demais, mais bonito do que o de muitas mulheres. Quando sorria, parecia iluminar tudo ao redor. Vestia-se de um jeito levemente andrógino, sempre impecável, elegante, com uma beleza delicada. Tinha um temperamento dócil, sabia agradar e, acima de tudo, entendia os homens como poucos.

— Marcelo… Eu te imploro, deixa o Henrique em paz.

Carolina nunca tinha sentido tanto medo.

Marcelo franziu a testa, claramente contrariado.

— Você ainda ama o Henrique?

Carolina assentiu.

— Amo. Eu amo ele. — A voz saiu baixa, mas firme. — Dá pra você desistir, por mim?

O sorriso de Marcelo se alargou ainda mais. Ele balançou a cabeça, tranquilo.

— Nada disso. Vamos disputar direito. — O olhar dele ficou afiado. — E você não faz joguinho sujo. Muito menos conta pra ele sobre a minha orientação. O resto… Deixa o Henrique decidir.

Dito isso, ele voltou a passar o braço pelos ombros de Carolina, puxando-a à força para frente.

Irritada, com os nervos à flor da pele, Carolina empurrou a mão dele.

— Solta.

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