~AYLA~
— Então vocês não se falaram mais?
O tom de Teri era curioso, mas eu sabia que havia uma pitada de indignação escondida ali.
Suspirei, deixando meu corpo afundar no sofá da sala de descanso da academia de balé. Estávamos exaustas depois de um dia inteiro de ensaios e aulas. A última turma tinha acabado de sair, e aquele era o primeiro momento de silêncio que conseguíamos desde que chegamos.
— Nem uma mensagem — minha voz saiu com uma nota de decepção que eu nem tentei disfarçar.
Teri fez uma careta.
— Sério? Nem um “foi ótimo, a gente se vê por aí”?
Soltei um riso sem humor.
— Nada.
Ela cruzou os braços, parecendo irritada por mim.
— Talvez ele só esteja ajeitando as coisas antes de te procurar.
Dei de ombros. Talvez.
Mas no fundo… no fundo, doía.
Por um lado, eu queria acreditar que Nicolas estava apenas lidando com tudo. Que Letícia, a Sartori, a confusão que ele precisava resolver estavam ocupando seu tempo e que, quando tudo estivesse no lugar, ele voltaria para mim.
Por outro lado…
Apertei os dedos contra o tecido da minha calça, sentindo um incômodo apertar meu peito. E se para ele já tivesse sido o suficiente?
E se, para Nicolas, ter dormido comigo uma vez já tivesse sido tudo o que ele queria?
Eu odiava pensar nisso.
Eu odiava duvidar.
Mas depois de tudo, depois da forma como as coisas aconteceram entre nós e do silêncio que se seguiu, como eu poderia não pensar assim?
Fechei os olhos por um instante.
Eu tinha que me agarrar à certeza que tive na outra linha do tempo.
Naquele lugar que eu apaguei, Nicolas me amava. Ele me queria ao lado dele, para sempre.
Essa era a única coisa que eu podia segurar agora.
— Escuta essa… — Teri disse, mudando de assunto abruptamente.
Agradeci mentalmente por isso.
— Dona Marta está radiante! — ela contou, animada. — Ela disse que o dinheiro que recebeu da Sartori foi um grande incentivo, mas o que realmente fez a diferença foi o reconhecimento. Ela soube que a comida que forneceu para o acampamento recebeu vários elogios, então juntou algumas economias e está pensando em abrir um restaurante.
Um sorriso verdadeiro surgiu nos meus lábios.
— Isso é incrível!
— E tem mais. — Teri continuou. — Ela já falou com Vanessa e Paulo sobre contratá-los.
Senti um calor agradável crescer dentro do meu peito.
— Fico muito feliz em saber que essas pessoas também vão poder ter uma vida diferente — pausei, olhando para ela. — Uma vida boa.
Teri sorriu.
— E por falar em vida boa… — inclinei a cabeça, estreitando os olhos para ela. — E você e Ricardo?
Ela riu, meio sem jeito, mas seus olhos brilharam.
— A gente tem se falado — confessou. — E eu estou bem empolgada.
— É sério isso?
— Eu me sinto como uma adolescente vivendo um novo relacionamento.
Minha expressão se suavizou.
— Você merece.
Teri segurou minha mão, o toque dela tão familiar e reconfortante quanto sempre foi.
— O que eu passei na outra linha do tempo… foi muito difícil? — ela perguntou, baixinho.
Fechei os olhos por um segundo antes de encará-la.

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