O couro frio da poltrona do teatro pressionava minhas costas, mas eu mal conseguia sentir. Minhas mãos estavam trêmulas sobre o colo, os dedos entrelaçados com força para tentar conter a ansiedade que subia como uma maré avassaladora.
O Royal Opera House.
Eu estava sentada no palco de um dos maiores teatros de Londres, sob a luz suave que banhava a plateia e realçava o brilho opulento das cortinas de veludo. O evento era grandioso, maior do que qualquer coisa que eu já tivesse participado, e minhas meninas eram as próximas a se apresentar.
Meu coração martelava no peito
Elas estavam prontas. Eu as treinei para isso.
Não precisavam de nada além do próprio talento e dedicação. Não precisavam de medicações para suportar a dor, como Helena acreditava. Não precisavam de exaustão além do limite humano. Não precisavam ser tratadas como máquinas, descartáveis, como se apenas uma carreira impecável justificasse sua existência. Elas precisavam apenas de alguém que as levasse ao limite e as fizesse acreditar em si mesmas.
E eu estava ali, assistindo.
Ao meu lado, Nicolas parecia tranquilo, a postura relaxada contrastando completamente com a minha tensão evidente. Ele observava o palco com atenção, mas, em algum momento, voltou-se para mim e segurou minha mão.
Seu toque era firme, quente. Presente.
— Vai ficar tudo bem — ele sussurrou, os olhos presos aos meus.
Assenti lentamente, tentando acreditar nisso.
As luzes da plateia se apagaram, o murmúrio do público diminuiu e a música começou a tocar.
Minhas meninas surgiram no palco, graciosas e fortes, os movimentos perfeitamente coordenados. Cada arabesque, cada pirueta, cada salto era executado com precisão e emoção. Eu as conhecia, cada uma delas. Conhecia seus medos, seus desafios, suas histórias.
Camila liderava a coreografia, e eu me arrepiava ao vê-la dançar. Ela não apenas executava os passos, ela os vivia. Seu corpo contava uma história sem precisar de palavras, e a plateia prendeu a respiração quando ela deslizou pelo palco com uma leveza impossível.
Quando a apresentação terminou, houve um segundo de silêncio absoluto antes que o teatro inteiro explodisse em aplausos.
Senti um nó na garganta, e antes que pudesse impedir, as lágrimas escorriam pelo meu rosto.
Nicolas se inclinou para perto, sua boca roçando suavemente meu ouvido.
— Um dia, quero te ver em um palco como esse também.
Fechei os olhos por um instante. A ideia era bonita, mas o tempo para mim já tinha passado.
— Minha oportunidade já passou — murmurei, forçando um sorriso. — Mas fico feliz por elas.
Ele não disse nada, apenas apertou minha mão mais uma vez.
A festa de encerramento estava animada, repleta de dançarinos, instrutores e olheiros de algumas das maiores escolas de balé do mundo. Eu mal conseguia dar um passo sem que alguém me parasse para elogiar minhas alunas.
As garotas estavam rodeadas de profissionais, algumas segurando cartões de contato, outras sorrindo de orelha a orelha com a chance de futuras oportunidades. Elas estavam radiantes, e isso fazia tudo valer a pena.
Mas foi Camila quem me fez parar.
Ela estava do outro lado do salão, apertando os cartões nas mãos como se fosse um bilhete dourado para um futuro brilhante.
— Camila — chamei, me aproximando. — Você acabou de receber uma proposta da ARAP.
Ela arregalou os olhos, mal acreditando no que ouvia.
— Para um curso de verão?
Assenti, sorrindo ao ver a empolgação crescendo em seu rosto.
— Sim. Eles querem que você estude com eles. Bolsa completa!
Um segundo de silêncio.
Então, ela gritou.
Camila pulou, os olhos marejados, as mãos tremendo enquanto segurava o envelope que eu lhe entregava. O sorriso dela era tão grande que fez meu peito se encher de orgulho.

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