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Amor por Acidente - A Stripper e o Bilionário romance Capítulo 109

O som suave da música preenchia o estúdio, misturando-se ao eco ritmado dos meus passos contra o piso de madeira. Eu me sentia leve, energizada, como há muito tempo não me sentia.

Desde que voltamos de Londres, algo dentro de mim parecia ter despertado. O relacionamento com Nicolas florescia a cada dia, a possibilidade de um teste para uma grande produção da ARAP pulsava na minha mente, e pela primeira vez em anos, eu me permitia sonhar.

Eu tinha enterrado esse sonho quando engravidei pela primeira vez.

Miguel nunca me incentivou a voltar. Dizia que era melhor eu ter algo estável, que balé não me daria segurança, que eu devia pensar no futuro da nossa família. E quando a segunda gravidez veio, seus argumentos se tornaram ordens.

Mas a verdade?

Eu só tinha 23 anos.

Pela segunda vez, sim, mas ainda eram apenas 23 anos.

Eu ainda tinha um futuro pela frente.

Fechei os olhos por um instante, deixando meu corpo seguir a música, entregando-me ao prazer do movimento. Era bom me sentir assim. Livre.

E então, tudo desmoronou.

A porta do estúdio foi aberta com violência, batendo contra a parede com um estrondo que ecoou pelo espaço. Meu corpo congelou no mesmo instante, o coração disparando antes mesmo de meus olhos captarem a figura que invadiu o lugar.

Helena.

Ela estava ali, parada na entrada do estúdio, segurando uma arma.

O sorriso em seu rosto era gélido, cruel.

— Que cena bonita — ela disse, dando um passo à frente. — Uma bailarina reencontrando seu sonho. Mas sabe qual o problema dos sonhos, Ayla? Eles sempre acabam.

Meu peito subia e descia rápido, como se cada respiração fosse uma luta. O que ela estava fazendo? O que ela queria?

— O que você quer, Helena? — minha voz saiu mais firme do que eu esperava.

Ela inclinou a cabeça, o olhar escuro brilhando com algo perigoso.

— Quero terminar o que começamos.

Um frio percorreu minha espinha.

Ela estava falando do acidente. Do atentado contra a minha vida.

— Você cortou os freios do meu carro.

Eu já sabia disso, é claro. O Fiat Mobi roxo. Mas ainda assim, era difícil admitir em voz alta que a mulher que um dia considerei minha melhor amiga tinha tentado me matar.

— Não fui só eu. — Ela girou a arma entre os dedos, casualmente. — Miguel sempre foi meu cúmplice. Ele queria você morta, Ayla. O seguro de vida seria a única coisa capaz de salvar a empresa dele da falência.

A raiva começou a borbulhar dentro de mim, subindo pelo meu peito como lava incandescente. Na outra realidade, eu vi o pior de Miguel com relação a mim. Isso me fazia não ter a menor dúvida a respeito das palavras de Helena. Mas nossos filhos? Ele teve essa coragem?

— E os meus filhos? — minha voz saiu cortante, cheia de fúria.

Helena revirou os olhos, como se eu estivesse sendo melodramática.

— Miguel não era tão frio. Ele não planejou a morte deles. Ele queria que tivesse acontecido antes da você chegar à escola, que eu tivesse cortado os freios antes.

Não era tão frio? Eu quis rir.

Mas o que ela disse depois fez o mundo ao meu redor estremecer.

— Mas eu, sinceramente? Eu preferi cortar depois. Se aquele acidente tivesse tirado a vida de todos vocês, teria sido um bônus. Não tenho vocação para madrasta de pirralhos.

O chão pareceu sumir debaixo dos meus pés.

O ar ficou pesado.

Minha visão escureceu nas bordas.

— Você é um monstro — minha voz saiu quase num rosnado.

— E você é uma sobrevivente incômoda.

Ela ergueu a arma.

O tempo desacelerou.

Meu coração pulsava alto nos meus ouvidos, cada batida ecoando como um relógio prestes a parar. Minha mente gritava para correr, mas meu corpo estava preso ao chão.

Eu não podia morrer. Não agora. Não depois de tudo.

E então, uma voz grave e firme rompeu o silêncio.

— Largue a arma, Helena.

O alívio e o medo chegaram ao mesmo tempo.

Nicolas.

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