~NICOLAS – TRÊS ANOS DEPOIS (2025) ~
A plateia estava em silêncio absoluto, como se o teatro inteiro prendesse a respiração.
No palco, sob a luz suave e mágica, Ayla se movia como se fosse feita de ar. Cada passo, cada giro, cada salto era uma fusão perfeita de técnica e emoção. A delicadeza dos braços, a força oculta nos pés que pareciam flutuar sobre o palco… Era hipnotizante.
Ela estava vivendo seu sonho.
E eu nunca tinha sentido tanto orgulho de alguém como sentia dela naquele momento.
O espetáculo chegou ao fim com um desfecho grandioso, e no instante em que a música cessou, a plateia explodiu em aplausos. Aplausos que pareciam não ter fim.
Olhei ao redor e vi o brilho nos olhos de cada um que estava ali por ela.
Teri e Ricardo batiam palmas empolgados, trocando olhares cheios de significado. Pedro tentava manter a pose de durão e esconder da namorada que estava emocionado. Camila enxugava discretamente uma lágrima, e a mãe de Ayla sorria com uma emoção genuína.
E então, meus olhos pousaram neles.
Os filhos de Ayla. Agora, era como se fossem meus filhos também. Nossa pequena família.
Heitor e Manuela estavam sentados lado a lado, pequenos demais para entender tudo o que ela passou para chegar ali, mas grandes o suficiente para saberem que aquela mulher no palco era uma heroína.
Aplaudiam como se o mundo dependesse disso
O coração apertou no meu peito.
Ela era minha. E sempre seria.
Desde que Ayla e eu começamos a namorar, três anos atrás, parecia que a última peça do quebra-cabeça da minha felicidade finalmente havia se encaixado.
Ela me contou uma história inacreditável — algo que qualquer outra pessoa chamaria de loucura. Disse que já havíamos sido um casal antes, em uma realidade alternativa da qual ela escapou. Narrava nossa história como quem descrevia um filme, cada detalhe vívido, cada emoção marcada em sua voz como se tivesse vivido tudo aquilo antes.
Era surreal.
Mas como não acreditar?
Como não acreditar quando, durante três anos, suas previsões continuaram se cumprindo, uma após a outra?
Como duvidar quando ela e Teri, de simples sonhadoras, tornaram-se donas de vários estabelecimentos em uma região da cidade que se valorizou exponencialmente, culminando em uma parceria com a Sartori em um empreendimento de luxo — exigindo, é claro, que todos os antigos moradores continuassem vivendo no condomínio, mesmo depois da modernização?
Como ignorar o fato de que Camila, sua aluna mais promissora, havia passado os últimos três anos treinando obsessivamente para um solo que, quando finalmente chegou, parecia ter sido feito sob medida para ela? Como se o destino tivesse apenas seguido um roteiro já escrito.
E, acima de tudo, como duvidar do nosso amor… quando ele parecia transcender tudo?
O tempo.
As probabilidades.
A própria lógica.
Ayla e eu éramos inevitáveis.
Assim que as cortinas se fecharam e os aplausos começaram a ecoar pelo teatro, eu me levantei, movido por um impulso incontrolável. Eu precisava vê-la.
Atravessei os corredores movimentados do teatro, desviando das pessoas que se cumprimentavam e celebravam o espetáculo. Meus passos eram firmes, meu destino certo.
Os bastidores estavam em festa.
Ayla mal conseguiu atravessar o corredor do teatro sem ser envolvida por abraços, parabéns e elogios de colegas e admiradores. O brilho em seus olhos, a alegria sincera e cansada no sorriso, era tudo o que eu sempre quis ver nela.
Mas eu precisava de um momento só nosso.
Aproveitei um instante de distração e a puxei para um canto mais tranquilo, longe do burburinho da comemoração.
Ela me olhou surpresa, mas o sorriso permaneceu nos lábios.
— O que foi?
Eu a estudei por um segundo. O figurino delicado da Fada Açucarada ainda vestia seu corpo, e os cabelos estavam presos em um coque perfeito. Ela parecia saída de um sonho.
— Estou orgulhoso de você — minha voz saiu baixa, mas firme. — Mais do que você pode imaginar.
O sorriso dela suavizou, e ela respirou fundo, como se estivesse absorvendo aquelas palavras.
— Obrigada — sussurrou.
Houve uma pequena pausa, e então seus olhos brilharam de um jeito diferente.
— Mas, para ser honesta, estou feliz que tenha acabado.
Franzi o cenho.
— Feliz? Pensei que essa turnê fosse um dos maiores momentos da sua carreira.
Ela sorriu de leve e levou a mão ao ventre, deslizando os dedos sobre a malha do figurino de balé.
— Sim, mas vai haver outros… Agora eu vou precisar de um tempo.
A forma como ela disse aquilo fez algo se revirar dentro de mim.
— Um tempo? — repeti, confuso.
E então, vi.
O jeito como ela tocava o próprio corpo. O brilho nos olhos. A hesitação cheia de significado.
Meus pulmões travaram.
— Ayla…?
Ela apenas sorriu e assentiu levemente.
A respiração escapou dos meus lábios como se eu tivesse levado um soco no peito.
Ela estava grávida.
O mundo ao meu redor pareceu desacelerar, como se apenas aquele momento existisse. Meus olhos fixaram-se nos dela, no leve tremor em seus lábios, no brilho de expectativa que reluzia em seu olhar.
Uma avalanche de emoções me atingiu de uma só vez — alegria, surpresa, um espanto absoluto — mas acima de tudo, uma felicidade avassaladora.
Minha mente percorreu cada momento dos últimos três anos. Cada passo que demos para chegar até ali, cada obstáculo, cada luta… e agora ela estava me dando isso. Nos dando isso.
— Você... está falando sério? — minha voz saiu rouca, quase trêmula.
O sorriso dela se alargou, e Ayla assentiu novamente.
Meu coração disparou.

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