~AYLA~
O apartamento estava um caos de roupas espalhadas sobre a cama e sapatos descartados pelo chão enquanto eu tentava decidir o que vestir para a exposição. Minhas mãos apertavam um vestido preto simples, mas elegante, contra o corpo enquanto me olhava no espelho, ponderando se aquilo era o suficiente para uma noite que, de alguma forma, parecia maior do que eu esperava.
Atrás de mim, Teri deslizava um batom vermelho nos lábios, sentada na beira da cama, observando minha indecisão com um sorriso de canto.
— Isso é só uma exposição ou você está se arrumando para um casamento? — ela provocou, cruzando as pernas e me analisando com aquele olhar afiado que sempre lia além do que eu dizia.
— Cala a boca — murmurei, revirando os olhos, mas sentindo meu rosto esquentar.
Ela riu, mas sua atenção voltou para o próprio reflexo no espelho do quarto. Usava um vestido verde-escuro que abraçava suas curvas de um jeito perigoso. Os cabelos caíam soltos em ondas perfeitas, e seus olhos carregavam um brilho diferente.
— Você está bem fatal — comentei, tentando desviar o foco de mim mesma.
Teri deu um meio sorriso, mas não respondeu de imediato. Em vez disso, pegou um brinco sobre a cômoda e o encaixou na orelha, como se estivesse ganhando tempo para responder algo que não queria admitir.
— Ricardo te convidou para ir com ele, não foi? — arrisquei, testando minha teoria.
Ela bufou e jogou o batom de lado.
— Convidou, sim. Disse que queria alguém com ele para "tornar tudo mais interessante".
Eu ergui uma sobrancelha, me virando para encará-la.
— Você está nervosa.
— Não estou. — Mas a forma como ela mordeu o lábio inferior a entregou.
— Está, sim. — Cruzei os braços. — Você sempre se gaba de não se envolver com clientes, de manter tudo sob controle, mas agora parece uma adolescente que foi convidada para o baile.
Ela me lançou um olhar afiado, como se quisesse negar, mas então suspirou pesadamente.
— E se eu estiver? — Sua voz veio mais baixa, carregada de hesitação.
— Se estiver… você gosta dele.
Teri ficou em silêncio por alguns segundos, depois olhou para a janela, como se ali houvesse alguma resposta que pudesse salvá-la.
— Eu não posso gostar dele, Ayla — disse, finalmente.
— Pode, sim. Só não quer.
Ela me olhou de canto, e um pequeno sorriso sem humor surgiu em seus lábios.
— Exato. Eu já vivi isso antes. Sei como essas histórias terminam. Comigo perdendo.
Minha garganta se apertou, reconhecendo o que ela estava dizendo sem que precisasse explicar. Teri era forte, independente, uma mulher que sempre dizia estar no controle, mas, ali, enquanto se preparava para sair com Ricardo, eu via que, no fundo, existia medo.
— Você sabe que ele não é como os outros — murmurei.
— Todos parecem diferentes no começo.
Suspirei, sentindo o peso das palavras dela.
— E mesmo assim você vai.
Teri soltou uma risada curta, mas sem humor.
— Mesmo assim eu vou.
Nos encaramos por um momento, e, pela primeira vez, senti que não éramos tão diferentes assim. Ambas envolvidas com homens que poderiam nos oferecer mundos completamente diferentes do que estávamos acostumadas. Ambas com medo de dar um passo que não pudesse ser revertido.
O silêncio se estendeu entre nós até que Teri respirou fundo, como se afastasse os pensamentos e voltasse para o presente.
— E você? — Sua voz voltou a ser provocativa. — Você pode estar aqui me analisando, mas está no mesmo barco.
Fiz uma careta.
— Do que você está falando?
— Nicolas.
Meu estômago revirou ao ouvir o nome dele.
— Isso não é a mesma coisa.
— Não? Então por que você está demorando tanto para escolher uma roupa?
Abri a boca para responder, mas me dei conta de que não tinha uma justificativa plausível. Fechei a boca e voltei a olhar para o espelho, sentindo Teri sorrir vitoriosa ao meu lado.
— Se já está nesse ponto, melhor aceitar logo.


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