Violet
Eu não fiquei surpresa com o jornalista ligando. Estava atordoada, sim, mas surpresa, não. Quando você vive sob os holofotes, como Damon, e agora eu, é apenas uma questão de tempo até a mídia começar a invadir sua vida. O que realmente me surpreendia era como ele, de repente, se transformava.
Uma hora, ele estava ali, calmo, quase zen. Havia algo nele que parecia intocado pelo estresse do mundo, como se o fato de ele ter acabado de voltar de uma corrida ao amanhecer fosse a coisa mais normal do mundo. Ele parecia estar em sintonia consigo mesmo, quase como se a pressão do dia a dia não pudesse tocá-lo.
Mas, então, quando o celular tocou e ele entendeu quem era, a mudança foi instantânea. A máscara de calma desapareceu, e tudo o que restou foi uma tensão visível. O rosto dele endureceu, a mandíbula se contraiu, e ele me olhou com uma expressão que eu nunca tinha visto antes. Era como se ele estivesse se preparando para a guerra. Tudo nele se tornou rígido, fechado, uma explosão de emoções que ele não estava disposto a deixar escapar. De uma pessoa que parecia serena, ele se transformou em alguém com um foco imenso naquilo que estava acontecendo.
Eu não conseguia entender como ele passava de alguém tão tranquilo para alguém com uma intensidade tão forte. O jeito que ele falou com a jornalista, cortante e direto, foi uma verdadeira demonstração de poder. Eu fiquei sem palavras, observando-o. Ele não hesitou em se impor, mesmo que isso significasse ameaçar alguém de maneira tão fria, tão sem piedade. Era uma forma de proteção, mas, ao mesmo tempo, algo tão distante da pessoa tranquila que ele tinha sido alguns minutos antes.
Ele parecia estar em guerra, mas, ao mesmo tempo, estava tão calmo e calculista quanto uma tempestade prestes a estourar. Tudo o que ele representava de segurança e confiança havia sumido por um momento, dando lugar a uma pressão que eu só podia imaginar. E isso me deixava... surpreendida. Eu sabia que ele tinha um lado duro, mas jamais imaginei que isso fosse ser revelado assim, tão abruptamente. Eu sabia que ele estava me protegendo, mas, ao mesmo tempo, eu me perguntava até que ponto aquela necessidade de controle seria algo saudável para ele, ou para nós.
Ele respirou fundo e, antes que eu pudesse dizer qualquer coisa, ele mandou que eu terminasse meu café em paz, pedindo que não atendesse mais a nenhum número estranho. E, assim, ele se afastou, a mesma tensão ainda pairando sobre ele enquanto se preparava para lidar com o resto do caos, sozinho. Eu fiquei ali, sentada, tentando entender tudo o que acabara de acontecer.
Terminei de comer, mas minha mente continuava a martelar sobre a reação de Damon. Cada detalhe daquela transformação repentina dele estava ainda muito vívido na minha cabeça. Como alguém pode mudar tão rápido? Ele havia me mostrado um lado de si que eu não sabia que existia, uma faceta que parecia fazer parte dele, mas que eu não havia tido tempo para explorar ainda.
Com a cabeça cheia desses pensamentos, eu me levantei, limpei a mesa automaticamente e comecei a lavar a louça. O som da água correndo na pia parecia ser o único som presente naquele momento, o único capaz de me afastar um pouco da tensão no ar. Eu tentei organizar os pratos e talheres, mas até nisso eu estava perdida. Eu não sabia onde Damon guardava as coisas. Em algum momento, ele teria me mostrado, mas naquele momento não parecia o melhor dos horários para eu perguntar. Eu sabia que ele voltaria em breve, e não queria parecer que estava invadindo demais o espaço dele.
Depois de lavar tudo, coloquei os pratos no escorredor e me afastei da pia, olhando para a cozinha, que parecia mais fria sem a presença dele. Sentia que, se ele estivesse por ali, talvez as coisas fossem mais naturais, menos silenciosas. Mas, por ora, eu só queria deixar as coisas no seu devido lugar.

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