Damon
Já devidamente vestido e com a cabeça fervilhando de decisões a tomar, sabia que não podia esperar até segunda-feira para resolver o problema do telefone. Precisava de novos números, tanto para mim quanto para Violet. Quanto mais eu pensava sobre isso, mais ficava claro que precisávamos estabelecer alguns limites em relação à nossa privacidade. Não estava disposto a permitir que qualquer um, especialmente jornalistas, invadissem nossas vidas dessa maneira.
Enquanto caminhava pelo quarto, estava em dúvida, me perguntava se ela gostaria de sair para trocar os números comigo ou se deixava ela passar o dia todo naquele adorável pijama que parecia ter se tornado parte de sua personalidade. Mas antes que eu pudesse decidir como agir, enquanto saia do quarto, algo — ou alguém — chocou contra mim.
Foi tão rápido que só tive tempo de segurá-la contra meu corpo para evitar sua queda. No instante seguinte, percebi o que estava acontecendo. Violet, com o rosto um tanto confuso e os cabelos molhados, não estava exatamente em seu melhor estado, mas o que me fez congelar por um segundo foi o fato de que ela não estava usando seu pijama. Na verdade, ela estava sem nada além de uma toalha, que mal cobria o necessário, e estava correndo pelo meu corredor como se estivesse fugindo de algo.
Eu, por um momento, fiquei em silêncio, com a sensação de que o universo tinha dado uma risada cruel. Eu segurava Violet em meus braços, mas a situação era tão inesperada que eu me vi incapaz de dizer qualquer coisa por um segundo. Ela se afastou lentamente, ainda sem olhar para mim, como se estivesse se escondendo de vergonha.
— Você está bem? — perguntei, tentando sem muito sucesso, manter o tom sério.
E, enquanto ela tentava se recompor, minha mente começou a trabalhar novamente, perguntando-me como essa situação teria se desenrolado se eu tivesse esperado mais um pouco para sair do quarto.
— Sim, desculpe — Violet, com a toalha apertada ao redor de seu corpo, se desculpou rapidamente, com as bochechas coradas — Esqueci à troca de roupa no quarto.
Ela parecia um pouco atordoada, e eu mal conseguia conter o sorriso ao vê-la em uma situação tão desconfortável. Eu assenti, tentando manter a calma.
— Não se preocupe. Eu realmente não esperava que tivesse que fornecer um banheiro privado para uma colega de quarto. — fiz uma pausa, olhando para ela com uma expressão de leve ironia, mas não o suficiente para deixá-la menos envergonhada — Deve ser uma falha na arquitetura. O quarto de hóspedes não estava exatamente preparado para isso.
Violet, toda vermelha, não conseguiu mais disfarçar a vergonha estampada no rosto e, sem dizer nada, começou a andar apressada de volta ao seu quarto.
— Não tem problema, Damon, obrigada — ela disse, em voz baixa, tentando se esconder mais ainda da situação.
Eu a observei por um instante, vendo-a desaparecer no corredor. Meu sorriso quase imperceptível se alargou, mas logo o abri para um suspiro. Eu estava começando a perceber que, apesar de todas as complicações que esse casamento tinha trazido até agora, era impossível não achar essa situação... curiosamente engraçada.
Sentei-me no sofá da sala, decidindo que precisava fazer algo. Violet parecia ainda desconfortável, como se estivesse se acostumando com o novo ambiente, e eu sabia que não era uma boa ideia deixá-la sozinha naquele momento. A última coisa que eu queria era que ela se sentisse como se estivesse confinada naquele apartamento.
Esperei alguns minutos até ouvir a porta do quarto se abrir. Violet apareceu na sala com uma jardineira de calça comprida, o tecido de um tom suave. A jardineira, ajustada na cintura, deixava um pouco da sua pele à mostra, com a blusa curta que usava por baixo revelava um trecho sutil de sua barriga, o que dava um toque casual, mas ainda assim, com uma delicadeza que eu não podia deixar de notar.
Seu rosto, ainda corado do susto e do encontrão de minutos atrás, dava-lhe um ar de vulnerabilidade que eu não estava acostumado a ver. O cabelo, ainda molhado, estava penteado para trás de maneira prática, mas as mechas caíam suavemente em algumas partes, conferindo-lhe um charme despretensioso.
Ela estava ali, tentando se esconder atrás daquela postura mais tranquila, mas eu podia perceber que a tensão ainda a acompanhava. E mesmo assim, era impossível não perceber o quanto ela ficava bem.
— Ei, que tal darmos uma volta? Vamos sair um pouco. — falei de maneira descontraída, tentando fazer com que ela se sentisse à vontade.
Eu olhei para Violet enquanto ela parecia pensar por um momento, os dedos tocando levemente a jardineira. A sensação de que ela ainda estava tentando se ajustar ao que havia acontecido nos últimos dias era clara em seus olhos, mas ela não queria mostrar fraqueza. Eu podia perceber isso. Ela não estava se rendendo a essa situação com facilidade, mas estava tentando.
— Vamos até um lugar tranquilo, sem repórteres ou qualquer coisa do tipo. Podemos pegar algo para comer depois — falei, tentando tirar um pouco o peso do que estava acontecendo e dar a ela algo normal, pelo menos por um tempo.

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