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Amor Sob Contrato: O Acordo perfeito romance Capítulo 45

Violet

Enquanto o elevador descia, me encostei na parede, tentando parecer relaxada. Aproveitei o momento para observar Damon sem que ele percebesse.

Ele vestia uma camisa polo azul-escura, que se ajustava perfeitamente ao seu torso definido, combinada com calças de alfaiataria casual em um tom mais claro e sapatos que pareciam confortáveis, mas sofisticados. Mesmo numa roupa que ele provavelmente consideraria casual, Damon exalava elegância. Era quase injusto. Aquelas roupas, que pareciam tiradas de um catálogo, eram mais refinadas do que qualquer coisa que eu já tinha no meu guarda-roupa.

Então, meu olhar involuntariamente voltou para a forma como a camisa delineava seu peito e ombros. Era impossível não lembrar do momento mais cedo, quando esbarrei nele e ele me segurou contra seu corpo. Só de pensar, minha pele parecia reviver o choque elétrico que percorreu cada nervo. Foi como um raio, me deixando paralisada por um instante. Ele, firme e inabalável, enquanto eu estava literalmente à beira de cair.

Balancei a cabeça discretamente, tentando afastar a lembrança. Era irracional ficar remoendo aquilo. Afinal, foi só um acidente. Um embaraçoso, caloroso e eletrizante acidente... Que eu parecia incapaz de esquecer.

Damon parecia outra pessoa agora. O estresse que havia dominado seu rosto mais cedo havia sumido completamente, dando lugar a uma expressão tranquila. Ele girava casualmente as chaves do Mustang na mão, como se o mundo estivesse em perfeita ordem.

Quando chegamos ao subsolo, caminhei ao lado dele em silêncio até o carro. O Mustang preto brilhava mesmo sob a luz fria da garagem, uma extensão perfeita da personalidade de Damon: poderoso e impecável.

Ele deu a volta no carro e abriu a porta para mim, um gesto tão natural que quase me fez esquecer que estávamos num casamento de conveniência. Enquanto eu entrava, notei que ele olhava rapidamente para o relógio em seu pulso, como se checar as horas fosse parte do ritual.

Ao me acomodar no banco, ele fechou a porta com cuidado antes de dar a volta e se sentar ao volante. Era impossível ignorar a presença de Damon, ainda mais naquele espaço pequeno. Um misto de curiosidade e desconforto crescia dentro de mim. Afinal, que tipo de "passeio" ele tinha em mente?

No silêncio confortável do carro, Damon me lançou um olhar breve antes de quebrar o silêncio:

— Estava pensando… Se você concordar, eu gostaria de trocar o seu número, assim como vou trocar o meu. Não quero que jornalistas fiquem te importunando.

Eu balancei a cabeça, concordando. A ideia fazia sentido, e eu mesma não queria lidar com chamadas inesperadas de repórteres inconvenientes.

— Depois de resolver isso — ele continuou, mantendo os olhos na estrada —, pensei que podíamos passar na sua mãe. Eu estava tentando pensar em algum lugar tranquilo, onde não corremos o risco de topar com fotógrafos, mas não consegui pensar em nada melhor do que isso.

Meu peito apertou um pouco. Não era só pela ideia de ver minha mãe — que, com certeza, teria dezenas de perguntas sobre esse casamento maluco —, mas pela consideração de Damon. Ele claramente estava tentando fazer as coisas do jeito certo, mesmo dentro desse arranjo completamente fora do comum.

— Parece uma boa ideia — respondi, tentando ignorar o calor que subiu ao meu rosto com o pensamento dele querendo proteger minha privacidade. Damon assentiu, satisfeito, enquanto voltava sua atenção para a direção do carro, com os dedos firmes no volante.

Peguei o celular e comecei a digitar uma mensagem para minha mãe, avisando que passaríamos lá para uma visita. Porém, antes de enviar, hesitei, refletindo sobre o que aquilo significava. Me ajeitei no banco, olhando para Damon, que dirigia com uma tranquilidade que parecia inabalável.

— Você sabe que escapou de um interrogatório no casamento, né? — comecei, observando a expressão dele. — Se formos mesmo na casa da minha mãe, você não vai ter para onde fugir.

Ele lançou um olhar de canto, um leve sorriso brincando nos lábios.

— Tudo bem. — A segurança na voz dele era quase desconcertante. — Vou precisar de uma ajudinha sua, mas posso lidar com isso.

— Ajudinha? — ergui uma sobrancelha, meio desconfiada.

— Você sabe, dicas básicas para sobreviver ao questionário da sua mãe. Tipo, qual é a cor favorita da minha noiva? — Ele fez uma pausa, arqueando as sobrancelhas para enfatizar a provocação.

Soltei um riso curto e balancei a cabeça, incapaz de conter um sorriso.

— Azul.

— Ótimo, já estou no caminho certo.

Ainda sorrindo, voltei minha atenção para o celular e finalmente enviei a mensagem para minha mãe. O jogo de cintura dele era algo que eu não esperava, mas que definitivamente tornava tudo isso um pouco mais fácil.

O clima dentro do carro era leve, preenchido pelo som suave de um rock tocando baixinho. Eu me peguei observando a paisagem pela janela, os pensamentos vagando para longe, até que uma onda súbita de tristeza me atingiu. Suspirei profundamente e deitei a cabeça contra o vidro, tentando afastar a sensação.

— Está tudo bem? — A voz de Damon me puxou de volta à realidade. Ele parecia sempre notar tudo, até os menores detalhes.

Virei o rosto para ele, hesitante. Não era fácil colocar em palavras o que estava sentindo, mas então lembrei do que havíamos combinado: honestidade. Era parte do nosso acordo, mesmo que às vezes fosse desconfortável.

— Sim e não. — Minha voz saiu mais baixa do que eu pretendia. Ele esperou, sem me pressionar, e aquilo foi o suficiente para eu continuar. — Estava pensando em como... — Fiz uma pausa, buscando as palavras certas. — Não lembro da última vez que Eathan me chamou para sair, para fazer algo diferente.

Damon não respondeu de imediato, e eu continuei, querendo tirar aquilo do peito.

— Nem lembro da última vez que estivemos assim, como agora. — Fiz um gesto vago, apontando para o carro. — Em um silêncio confortável, só ouvindo música.

Ele desviou os olhos da estrada por um segundo para me encarar, e algo na sua expressão, uma mistura de compreensão e algo que eu não consegui decifrar, me fez sentir exposta, mas ao mesmo tempo segura.

— Ele não sabia o que tinha. — Damon disse, a voz baixa, mas firme. — Isso fica claro.

Soltei um riso curto e irônico, balançando a cabeça.

— Talvez. Ou talvez ele só... sei lá, desistiu.

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