Damon
A volta para o apartamento foi surpreendentemente agradável. Violet parecia bem mais leve, como se as tensões do dia tivessem finalmente dado espaço para um pouco de paz. O que, considerando tudo o que aconteceu, era um pequeno milagre.
Ela estava com os olhos fechados, a cabeça recostada no encosto do banco, e os braços envolvendo o pote de lasanha que Nora insistiu em mandar. Havia algo despretensiosamente encantador naquela cena — Violet, exausta, com os cabelos caindo soltos ao redor do rosto, e aquele pote de lasanha como se fosse um prêmio precioso.
Dirigir em silêncio me deu tempo para refletir. O dia tinha sido... intenso, para dizer o mínimo. Entre lidar com os irmãos dela, a exposição indesejada na TV e a tensão evidente cada vez que o nome de Eathan surgia, não faltaram motivos para que tudo tivesse ido por água abaixo. Mas, de alguma forma, não foi.
Olhei rapidamente para ela no banco do carona. A expressão relaxada contrastava com a luta interna que eu sabia que ela travava desde aquela manhã, no parque. Era intrigante e, de certa forma, inspirador. Violet tinha um jeito de enfrentar o caos com uma força que ela mesma parecia subestimar.
Chegando ao apartamento, estacionei o carro com cuidado, mas não tive coragem de acordá-la imediatamente. Por um instante, deixei que ela tivesse aquele momento de descanso, abraçada ao pote de lasanha como se fosse um escudo contra o mundo.
— Violet — chamei, a voz baixa. Ela murmurou algo inaudível, mas não abriu os olhos.
Era estranho como, mesmo no meio dessa situação toda, ela conseguia me surpreender a cada instante.
Estiquei a mão, quase tocando em seu belo rosto adormecido, mas me contive no último instante. A suavidade dos traços dela, a tranquilidade que só o sono parecia trazer... Era quase hipnotizante, mas eu sabia que cruzar essa linha seria um erro.
Com Violet, tudo era diferente. Eu estava começando a perceber que era difícil manter as coisas dentro do esperado. Ela tinha uma forma única de se expressar, de sentir, de reagir ao mundo ao seu redor. Não era como as pessoas que eu estava habituado a lidar — aquelas que seguiam padrões previsíveis, que mantinham distância emocional.
Violet não era assim. Ela era intensa, espontânea e, mesmo sem perceber, fazia com que eu questionasse até onde as fronteiras do nosso acordo realmente iam. E isso era perigoso.
Eu precisava me concentrar. Precisava lembrar que tudo isso era temporário. Um contrato, um prazo, um objetivo claro. Porque se não fizesse isso, se me permitisse atravessar o limite que, desde o início, tínhamos estabelecido... Bem, eu não estava certo de que conseguiria voltar atrás.
Suspirei, afastando a mão e deixando o momento passar.
— Violet, estamos em casa. — Minha voz saiu mais baixa do que eu esperava, quase como se temesse quebrar a paz que ela parecia finalmente encontrar.
Ela abriu os olhos, só um pouquinho, e o azul intenso pareceu me afogar por um instante. Por um momento, esqueci o que ia dizer.
— Chegamos. — Minha voz soou mais rouca do que eu gostaria.
Ela abriu a boca em um bocejo preguiçoso, um gesto tão natural que me fez sorrir involuntariamente. Sem dizer nada, ela assentiu, soltou o cinto e desceu do carro, ainda abraçada ao pote de lasanha como se fosse o maior tesouro do mundo.
Suspirei, desligando o carro e indo atrás dela.
Observei-a enquanto ela seguia em direção ao elevador, os passos lentos, as mechas de cabelo que se soltavam da trança que sua mãe fez, e caíam sobre seus ombros. Ela parecia exausta, mas havia algo naquela simplicidade que me fez querer segui-la e garantir que nada — nem mesmo o menor desconforto — a atingisse.
Assim que chegamos ao apartamento, Violet foi direto para a cozinha. Observei enquanto ela cuidadosamente colocava o pote de lasanha na geladeira, como se estivesse guardando um artefato raro e precioso. Ela então voltou para a sala, sem dizer uma palavra, e deixou seu corpo cair pesadamente sobre o sofá, ocupando boa parte dele.
Eu segui para a cozinha, onde preparei uma xícara de café para mim. O aroma forte me trouxe um pouco de clareza, o que era sempre bem-vindo quando Violet estava por perto. Com a xícara em mãos, me sentei no sofá, no cantinho que ela deixou livre.
Ela estava esparramada, o rosto virado para cima, com os olhos fechados. Parecia estar aproveitando o momento de silêncio. Liguei a televisão, buscando algo que não demandasse muita atenção. Não que eu fosse capaz de me concentrar de verdade — não com ela ali.
Peguei meu celular e abri a conversa com Edgar, o único amigo que tinha o talento inato de transformar minha vida em um caos controlado. Digitei rapidamente uma mensagem, a irritação fervendo em cada palavra:

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