Violet
Acordei esparramada no sofá, com a sensação de que tinha dormido por horas. Olhei em volta, mas estava sozinha. Peguei o celular para conferir as horas: meio da tarde. Um longo suspiro escapou de mim, e me levantei com os músculos ainda pesados pelo sono.
Caminhei até a sacada, abrindo a porta de vidro com cuidado. O ar fresco me atingiu de leve, trazendo um alívio sutil. Me debrucei sobre a mureta, deixando os olhos vagarem pela movimentação da rua lá embaixo. Carros passavam em um fluxo constante, pessoas andando apressadas, como se o mundo lá fora fosse alheio ao turbilhão de emoções dentro de mim.
A tristeza ainda estava lá, como um peso no fundo do peito, mas parecia mais suportável do que naquela manhã. Não tinha a sensação de que iria me quebrar a qualquer momento. Era como se o tempo tivesse começado a colar as peças rachadas. Pequenos remendos, mas ainda assim algo.
Fechei os olhos por um instante, ouvindo os sons da cidade e sentindo a brisa no rosto. Eu sabia que o processo seria longo, mas talvez estivesse começando a encontrar o caminho para sair daquela escuridão. Pelo menos, era o que eu esperava.
Era domingo, início da última semana de férias dos meus alunos. Para eles, provavelmente ainda era tempo de descanso, de aproveitar os dias livres sem pensar em responsabilidades. Mas, para mim, a realidade era bem diferente. Já começava a correria de organizar as matérias, revisar os trabalhos e planejar tudo o que viria pela frente.
Suspirei ao pensar na lista de coisas que precisava terminar antes da segunda-feira seguinte. Os primeiros dias de volta às aulas sempre eram um misto de empolgação e cansaço antecipado. Apesar disso, havia uma certa satisfação em ver tudo se encaixando — os horários, as aulas planejadas e até mesmo os desafios que sabia que enfrentaria com alguns alunos mais teimosos.
Me virei para dentro do apartamento, mordendo o lábio pensativa. Caminhei até meu quarto, parando no batente da porta e observando o cômodo com atenção. Era acolhedor, mas faltava algo que o tornasse funcional para o que eu precisava.
No canto, uma pequena bancada adornada com vasinhos de flores brancas dava um toque delicado ao espaço. No entanto, sabia que aquilo não era o suficiente. A bancada era bonita, mas pequena demais para acomodar tudo o que eu precisaria organizar para o trabalho. Livros, cadernos, papéis... tudo parecia implorar por um lugar adequado.
Suspirei, cruzando os braços enquanto avaliava o espaço disponível. Talvez fosse hora de repensar a disposição do quarto. Eu precisava de um canto só para o trabalho, onde pudesse me dedicar às aulas sem a sensação de estar espremendo minha vida entre móveis. Mas, ao mesmo tempo, odiava a ideia de mudar qualquer coisa ali.
— O que está pensando? — ouvi a voz de Damon às minhas costas.
Dei um pulo, o coração disparando no peito. Me virei rapidamente, com a mão pressionada contra o coração, tentando me recuperar do susto.
— Meu Deus, Damon! Você quer me matar do coração?
Ele riu baixo, levantando as mãos em um gesto de rendição.
— Desculpe, não quis assustar — disse, encostado na porta do quarto dele.
Só então percebi que ele parecia ter acabado de sair do banho. O cabelo estava molhado, alguns fios caindo sobre a testa. Ele vestia uma camiseta preta que grudava levemente no corpo por causa da umidade e uma calça de moletom cinza, que deixava seus pés descalços à mostra.
Tentei não encarar por muito tempo, mas meu rosto já estava quente.
— Você sempre aparece assim do nada? — perguntei, tentando soar irritada para disfarçar o constrangimento.
Ele arqueou uma sobrancelha, com um sorriso de canto nos lábios.
— Não, só quando vejo alguém perdida em pensamentos na porta do quarto. Parece sério.
Revirei os olhos, tentando ignorar o jeito como ele me olhava, e me virei de volta para o quarto.
— Estava pensando em reorganizar as coisas aqui. Preciso de um espaço maior para trabalhar, mas não quero mudar muito o quarto.
Damon se aproximou lentamente, parando ao meu lado. Ele se encostou de leve no batente da porta, cruzando os braços enquanto olhava para dentro do meu quarto com uma expressão avaliativa.
— O quarto é pequeno — constatou, como se estivesse fazendo um diagnóstico. — Use meu escritório.
Virei para ele, surpresa.
— Não quero invadir seu espaço, Damon.
Ele deu de ombros, ainda olhando para dentro do quarto, como se não fosse grande coisa.
— Não se preocupe. Eu mal uso o espaço.
Eu franzi a testa, desconfiada.
— Você não usa seu escritório?
Ele finalmente olhou para mim, os olhos dançando de leve, como se estivesse se divertindo com a conversa.
— Não para o que deveria usar, pelo menos. O máximo que faço lá é uma ligação ou outra Uso mais meu escritório na empresa.
Eu hesitei, mordendo o lábio. A ideia de invadir o espaço de Damon me deixava desconfortável, mas ao mesmo tempo, seria muito mais prático do que tentar encaixar uma outra mesa no meu quarto.

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