Entrar Via

Amor Sob Contrato: O Acordo perfeito romance Capítulo 57

Violet

Eu estava sozinha.

Sozinha num apartamento que não era meu.

Olhei ao redor, o silêncio era quase ensurdecedor. Tudo ali parecia gritar que eu não pertencia àquele lugar. Cada detalhe da decoração, cada móvel perfeitamente posicionado, parecia me lembrar que aquela era a casa de Damon, não a minha.

Suspirei, abraçando meu próprio corpo. A solidão nunca tinha sido algo que me incomodava tanto, mas agora era diferente. Talvez porque, de alguma forma, eu sabia que Damon havia preenchido um espaço na minha vida que eu nem sabia que estava vazio.

Tentei me ocupar. Peguei uma xícara de café, mas o sabor amargo só intensificou o nó na minha garganta. Eu não tinha apetite, nem ânimo para mexer no notebook e trabalhar. Tudo que eu fazia parecia... forçado.

Meu olhar parou na porta do escritório que ele havia organizado para mim. Um gesto gentil, mas que também carregava a marca do controle que ele insistia em exercer. Era confuso. Ele era confuso. E eu? Eu estava perdida.

Com passos lentos, me aproximei do sofá, sentando-me e puxando as pernas contra o peito. Estar sozinha deveria ser melhor do que lidar com as emoções confusas que Damon despertava em mim. Mas, ao mesmo tempo, o vazio parecia mais profundo quando ele não estava por perto.

Eu sabia que precisava me adaptar, precisava encontrar uma forma de fazer esse acordo funcionar sem me perder no processo. Mas, naquele momento, tudo que eu queria era uma pausa. Uma pausa da minha própria mente, dos sentimentos conflitantes e da sensação esmagadora de que eu não sabia mais quem eu era nesse cenário todo.

Primeiro eu era a pessoa que fazia de tudo para o noivo, desejando que um dia ele me amasse mais do que a ex-namorada. E a recompensa por isso? Ser abandonada no altar, humilhada na frente de todos, enquanto ele corria atrás dela.

Agora, eu era casada com um cara que mal conheço, vivendo um casamento de conveniência que parecia mais uma piada de mau gosto. Estava presa no apartamento dele enquanto ele trabalhava — ou quem sabe, dormindo com a primeira mulher que cruzasse o caminho dele, para satisfazer as necessidades que fez questão de deixar bem claras.

A ideia me enojava. Não porque eu tinha qualquer tipo de sentimento romântico por Damon, mas porque era mais uma lembrança cruel de como minha vida estava fora do meu controle. Tudo parecia ser decidido por outros: meu ex, Damon, as circunstâncias... Eu era uma coadjuvante na minha própria história.

Respirei fundo, tentando afastar os pensamentos. Mas era difícil. Aquele apartamento, com sua perfeição gelada, não ajudava. Cada canto me fazia sentir mais deslocada, mais pequena. Eu queria fazer algo — qualquer coisa — para provar para mim mesma que ainda tinha voz, que ainda podia escolher.

Mas a verdade era que eu não sabia como.

Estar aqui me assustava. Cada detalhe daquele apartamento parecia me lembrar que eu não pertencia a ele, que aquilo não era meu, que tudo era provisório. Mas, por mais desconfortável que fosse, não me assustava mais do que encarar o meu próprio futuro.

O que seria de mim depois desse acordo?

A pergunta pesava na minha mente como um sino que não parava de ecoar. Quando esse contrato terminasse, o que eu teria? Sem casa, sem marido, sem segurança alguma. Apenas eu e as ruínas de uma vida que parecia ter desmoronado diante dos meus olhos.

Era um pensamento aterrorizante. Eu sempre imaginei que, na minha idade, já teria uma família, estabilidade, talvez até filhos correndo pela casa. Em vez disso, estava ali, casada com um homem que mal conhecia, presa em um acordo que parecia mais um jogo cruel do destino.

A solidão era um vazio que me engolia pouco a pouco. E, no fundo, eu sabia: quando tudo isso acabasse, não haveria mais nada além de mim mesma. Só que, no momento, eu nem tinha certeza de quem eu era.

Perdida em meus pensamentos, me assustei com a sombra que surgiu à minha frente. Só percebi sua presença quando ouvi um leve e cordial:

— Bom dia, senhorita Violet.

Soltei um grito nada contido e pulei do sofá, levando a mão ao peito como se isso fosse conter o disparo frenético do meu coração.

— Meu Deus, Mary! — exclamei, ainda tentando recuperar o fôlego.

Ela sorriu, aquele sorriso sereno que só aumentava minha irritação.

— Peço desculpas pelo susto, senhorita Violet — disse com sua voz suave.

Mary, a governanta de Damon, era como um maldito felino à espreita, surgindo do nada sem nunca avisar que estava chegando. Sempre andando com passos leves, quase imperceptíveis. Se existia algo mais assustador do que ficar sozinha naquele apartamento, era ela aparecendo como se brotasse do chão.

— Você não pode simplesmente... — respirei fundo, balançando a cabeça. — Esquece. Bom dia, Mary.

Ela inclinou levemente a cabeça antes de responder:

— Espero que tenha descansado bem. O senhor Damon me pediu para passar aqui e garantir que a senhorita esteja confortável.

"Confortável." Era mesmo essa a palavra que Damon usaria? Porque eu estava tudo, menos isso. Olhei para ela, ainda um pouco desconfiada, e me sentei novamente no sofá, tentando ignorar o fato de que minhas mãos ainda tremiam levemente.

Damon havia comentado, de forma quase casual, que Mary vinha nos dias de semana para preparar seu jantar. Era parte da sua rotina e, aparentemente, algo que ele nem se dava ao trabalho de questionar.

Agora, ao que parecia, Mary havia ganhado uma nova função.

A de babá.

Fiquei observando enquanto ela organizava alguns papéis na bancada da cozinha, como se não fosse nada de mais estar ali, me vigiando. Tentei me convencer de que era apenas coincidência, que ela não estava ali especificamente para me supervisionar. Mas o olhar atento que lançava na minha direção, mesmo enquanto fingia estar ocupada, entregava tudo.

— Precisa de algo, senhorita Violet? — perguntou, como se fosse a pessoa mais inocente do mundo.

Engoli em seco.

— Não, Mary, estou bem.

Ela assentiu, mas continuou no mesmo lugar, se movendo de forma calma e metódica, com a paciência de quem não tem pressa.

Era oficial: Damon não confiava em mim o suficiente para me deixar sozinha.

Mary, vendo que eu não diria mais nada, saiu com um simples movimento de cabeça. Observei-a ir até a cozinha, movendo-se com precisão enquanto começava a tirar algumas panelas dos armários.

Antes que pudesse me conter, já estava pendurada na bancada, igual uma criança curiosa, a questionando sem filtro.

— O que vai fazer?

— Seu almoço, senhorita. — Sua resposta veio tão mecânica e controlada que por um segundo pensei estar falando com um robô.

— Mas não são nem dez horas ainda.

Ela parou por um instante, erguendo os olhos para mim como quem avalia se vale a pena continuar a conversa.

— Senhor Damon gosta de organização. O almoço precisa estar pronto no horário exato.

Mordi o lábio, tentando não rir. Claro que Damon gostava de organização. Ele era a personificação do controle. Mas ele não estava ali.

Decidi não discutir.

— Você cozinha todo dia pra ele?

Mary voltou a mexer nas panelas, como se minha pergunta fosse algo irrelevante.

— Quando ele está em casa, sim.

— E agora você vai cozinhar pra mim também?

Ela deu de ombros, mas não respondeu. O silêncio que se seguiu foi tão incômodo que acabei puxando um banquinho e me sentando ali mesmo, determinada a arrancar alguma interação.

— Então, Mary... quanto tempo você trabalha para o Damon?

Ela pausou o que fazia, como se estivesse calculando a resposta.

— Tempo suficiente para conhecer seus hábitos.

Ok, talvez não fosse a ideia mais brilhante tentar socializar com alguém que claramente estava ali só para cumprir seu trabalho. Mas, sinceramente, eu precisava de alguma distração.

Mordi o lábio, sentindo a curiosidade me consumir. Será que Mary sabia? Será que ela estava ciente de que minha relação com Damon não passava de um acordo bem calculado?

— Mary... — comecei hesitante, mexendo no tecido da minha blusa como se aquilo fosse ajudar a aliviar o nervosismo.

Ela parou o que fazia, levantando os olhos para me encarar.

— Sim, senhorita Violet?

— Você... você sabe muito sobre o Damon, não é?

— Eu conheço o suficiente para fazer meu trabalho. — Sua resposta foi direta, sem qualquer inflexão que indicasse curiosidade ou julgamento.

Respirei fundo, tentando manter a calma.

O nosso preço é apenas 1/4 do de outros fornecedores

Histórico de leitura

No history.

Comentários

Os comentários dos leitores sobre o romance: Amor Sob Contrato: O Acordo perfeito