Damon
Somente perto do meio-dia foi que Edgar apareceu na minha porta, com os braços cruzados e completamente emburrado.
— Essa empresa sempre me rende o dobro de trabalho quando eu tenho coisas interessantes para descobrir.
Sorri, revirando os olhos. Eu, de fato, estava surpreso por Ed não ter dado as caras antes, especialmente para perguntar sobre a nossa conversa de ontem. Sabia que ele não era do tipo que deixava as coisas passarem sem questionar. No fundo, ele parecia se divertir com minha situação.
— Você não perde tempo, não é? — disse, inclinando-me para trás na cadeira, mantendo o tom casual.
Ele ainda estava com aquele olhar de quem não se esqueceu do que discutimos, embora tentasse disfarçar com uma careta.
Edgar olhou para o relógio e, em seguida, lançou um olhar impaciente para mim, como se esperasse que eu tomasse a decisão.
— Quer sair para almoçar ou quer pedir aqui? — ele perguntou, já começando a se levantar da cadeira.
Eu sabia que ele preferia sair, mas, honestamente, não estava a fim de me afastar mais do que o necessário. A cabeça estava cheia de outras coisas, e eu só queria um pouco de paz. Além disso, ainda havia aquele peso da conversa com Violet pairando sobre mim, e eu precisava processar tudo isso.
— Acho que pedimos, não estou a fim de ficar muito fora — respondi, me recostando na cadeira, tentando não mostrar o quanto estava distraído com os próprios pensamentos.
Edgar não disse nada, mas deu uma pequena resmungada e pegou o telefone, começando a olhar as opções.
— Eu escolho o almoço, e você pode começar a falar — ele disse, se acomodando na cadeira e aguardando.
Inspirei fundo, tentando organizar as palavras na minha cabeça. Eu sabia que precisava desabafar, e Edgar, apesar de todas as suas piadas e sarcasmo, era alguém em quem eu confiava para ouvir.
— Acontece que a Violet... ela está mexendo com a minha cabeça — comecei, passando a mão pelos cabelos, como se tentasse afastar a frustração que vinha me consumindo. — Eu... eu nunca imaginei que isso fosse ser tão complicado. O acordo, eu pensei que fosse simples, algo controlável, mas ela não é fácil de lidar. E depois daquela conversa...
Parei um segundo, olhando para as mãos, como se aquilo me ajudasse a entender o que estava sentindo.
— Quando a gente conversou sobre sair com outras pessoas, ela ficou chateada. Eu... eu realmente não queria que fosse assim. Eu só pensei que ela fosse entender, sabe? Mas ela me olhou como se eu fosse um estranho, como se nada fosse fazer sentido. E a verdade é que nada faz sentido.
Edgar ficou em silêncio, observando-me atentamente, provavelmente tentando encontrar o momento em que eu estava realmente perdido.
— E agora? — ele perguntou, finalmente.
— Agora, estou tentando entender o que estou fazendo aqui — respondi, mais para mim mesmo do que para ele.
— Entendo ela ficar mal, se eu tivesse terminado com a única pessoa com quem fiquei a minha vida inteira, também ficaria perdida por onde começar, mas não posso entrar em um período sabático só para ser justo com ela — eu disse, exasperado, sentindo o peso das palavras.
Edgar me olhou, claramente tentando processar o que eu acabara de dizer.
— O que quer dizer? — ele perguntou, arqueando uma sobrancelha, aparentemente sem entender o ponto.

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