Entrar Via

Amor Sob Contrato: O Acordo perfeito romance Capítulo 59

Violet

Por incrível que pareça, o dia passou rápido. Mary me ajudou a organizar minhas coisas de trabalho no escritório de Damon logo após o almoço, e, apesar de sua postura controlada e quase robótica, ela acabou se mostrando mais legal do que eu imaginava. A maneira como se movia pela casa, com uma eficiência impressionante, me fez pensar que talvez ela fosse o tipo de pessoa que, por trás de toda aquela rigidez, tinha um bom coração. Ela nunca me perguntou muito, apenas fazia o que era necessário, e eu até comecei a relaxar um pouco, me sentindo menos... deslocada.

Mas teve um momento que quase me fez rir e ao mesmo tempo me encolher de vergonha. Estávamos na cozinha, e eu, com a melhor das intenções, sugeri que talvez eu pudesse ajudar com o jantar. Claro, eu não tinha a menor ideia do que estava fazendo, mas queria tentar me encaixar, mostrar que estava disposta a colaborar de alguma forma. Foi aí que Mary, sem pestanejar, pegou um garfo e o usou de forma quase militar, como se fosse um aviso, espetando a minha mão levemente. Ela não disse nada, mas o olhar dela deixou claro: "Você não vai ajudar aqui."

Foi o tempo que precisei para organizar minhas ideias. Eu sabia que não podia continuar perdida nesse mar de incertezas. Mary tinha razão, eu precisava de espaço, mas também precisava de um propósito. Não queria continuar vivendo em um estado de espera, me sentindo à deriva enquanto ele seguia com a vida dele. Era hora de eu dar o próximo passo, de me encontrar em algo além da situação em que estava.

Assim, finalmente, comecei a traçar um plano. Tinha que fazer mais do que apenas esperar que as coisas caíssem no meu colo. Precisava agir, me reconectar comigo mesma e buscar algo que fosse realmente meu.

Eu não sabia exatamente o que esperar do meu futuro, mas pelo menos agora eu tinha um ponto de partida. Estava pronta para colocar tudo isso em prática e tentar, finalmente, entender o que fazer com a minha vida.

Durante essa semana, decidi que focaria no trabalho. Seria a única coisa que poderia me dar algum tipo de controle sobre a situação. O caos que viria na semana seguinte, com a volta das férias e meus alunos agitados, iria me manter ocupada. O maldito acampamento que eu havia prometido a eles também não iria me deixar descansar. Pelo menos, isso seria algo que eu poderia fazer bem, algo no qual eu era boa.

Depois, quando as coisas estivessem um pouco mais organizadas, eu me concentraria em Eathan. Era hora de lidar com ele, mostrar a ele que havia algo de valioso em mim que ele nunca soubera aproveitar. Isso significava também conversar com Damon e encontrar a melhor maneira de fazer minha parte do acordo funcionar.

Eu queria que ele soubesse que eu não estava aqui apenas para ser parte do jogo dele, esperando que ele mudasse ou me salvasse. Eu queria mostrar a Eathan o que ele perdeu, tudo o que ele destruiu sem nem perceber. E talvez, só talvez, eu conseguisse encontrar algo mais nesse processo. Talvez fosse hora de começar a reescrever minha história, para que a narrativa não fosse mais sobre o que me fizeram, mas sobre o que eu poderia fazer por mim mesma.

E eu também devia desculpas a Damon. Minha reação na noite anterior foi exagerada, e eu sabia disso. Apesar de ter meus motivos — e ainda me sentir um pouco estranha com toda a situação —, a verdade era que Damon tinha sua própria vida para seguir além do nosso acordo. Ele não tinha obrigação de ajustar seus passos aos meus, nem de lidar com o caos interno que eu ainda não conseguia organizar.

Eu não estava pronta para seguir com minha vida nesse ponto, isso era claro para mim. Estava presa a um ciclo de insegurança e mágoas que ainda precisavam ser resolvidos. Mas Damon não deveria ser afetado por isso. Ele não merecia ser tratado como um vilão simplesmente por viver a própria vida.

Talvez não fosse fácil para mim aceitar tudo o que esse acordo representava, mas eu não tinha o direito de complicar ainda mais as coisas. Pedir desculpas seria o primeiro passo para tentar manter a convivência menos carregada entre nós. Afinal, estávamos no mesmo barco, e não fazia sentido continuar remando contra.

E era exatamente por esse motivo que eu estava aqui, arrumando a mesa do jantar. Mary havia ido embora há alguns minutos, mas não sem antes lançar um olhar mortal na minha direção ao me ver mexendo em suas preciosas porcelanas.

Eu revirei os olhos ao lembrar da expressão dela, como se eu fosse capaz de destruir uma simples louça apenas por tocá-la. Admito que meu nervosismo não ajudava — minhas mãos tremiam levemente enquanto colocava os pratos e talheres no lugar, tentando não derrubar nada no processo.

Por que estava me esforçando tanto? Era só um jantar. Um jantar que eu fazia questão de preparar para amenizar o clima pesado que havia criado. Damon provavelmente não se importaria com uma mesa arrumada ou com o que eu tinha a dizer, mas isso não importava agora.

Organizar a mesa era minha forma de dizer: "Ei, eu errei. Vamos tentar de novo." E mesmo que ele não percebesse ou não se importasse, ao menos eu teria tentado.

Ao terminar de organizar as coisas, me afastei alguns passos, analisando o resultado com olhos críticos. A mesa, agora arrumada para dois, parecia algo digno de um jantar formal, mesmo que meu objetivo fosse apenas transmitir uma mensagem de paz.

Coloquei uma toalha branca simples como base, sobre a qual descansavam dois jogos americanos de linho bege com bordas delicadas. Os pratos de porcelana branca com detalhes dourados estavam perfeitamente alinhados, acompanhados de talheres brilhantes e impecavelmente polidos. As taças de cristal refletiam a luz suave do pendente acima da mesa, conferindo um toque elegante ao ambiente.

No centro, um pequeno arranjo de flores frescas em tons pastéis, que Mary provavelmente tinha deixado na cozinha, completava o cenário. Era simples, mas harmonioso, e, por algum motivo, me senti satisfeita com o esforço.

Chequei as horas mais uma vez e percebi que o tempo estava se esgotando. Damon chegaria em breve, de acordo com o horário que Mary havia mencionado. Corri para o banheiro, tomando um banho rápido, mas que me ajudou a refrescar as ideias.

O nosso preço é apenas 1/4 do de outros fornecedores

Histórico de leitura

No history.

Comentários

Os comentários dos leitores sobre o romance: Amor Sob Contrato: O Acordo perfeito