Damon
Estacionei o carro na garagem e, por um instante, deixei o cansaço me dominar. Deitei a cabeça no volante, sentindo o peso do dia em cada músculo do meu corpo. Era como se todos os problemas do mundo tivessem escolhido se empilhar sobre mim de uma só vez.
As negociações na empresa estavam um caos, e Edgar não ajudava com suas piadinhas e conselhos sarcásticos. Além disso, havia Violet. Ela estava na minha mente o tempo todo, de um jeito que não fazia sentido. Eu tinha mais do que o suficiente para me preocupar, mas cada expressão dela, cada palavra, parecia ficar gravada na minha memória.
Saí do carro e caminhei em direção ao elevador, os passos ecoando na garagem silenciosa. Apertei o botão para a cobertura e esperei, o silêncio do espaço fechado me forçando a encarar meus próprios pensamentos. Era irritante como minha mente insistia em voltar para Violet. O que ela estaria fazendo agora? Dormindo? Ainda trabalhando? Ou planejando mais alguma coisa que iria mexer com minha cabeça?
Quando a porta do elevador se abriu, fui recebido pela escuridão do apartamento. Suspirei, sentindo o cansaço pesar ainda mais. Acendi a luz da entrada, mas deixei o restante da casa no escuro. O silêncio era quase reconfortante. Coloquei minha pasta sobre a mesa de jantar e conferi o horário no relógio. Passava da meia-noite. O dia havia me sugado até a última gota de energia.
Tudo estava meticulosamente em seu lugar, cada detalhe parecia alinhado como se alguém tivesse seguido um manual.
Caminhei até a cozinha, o silêncio sendo cortado apenas pelo som dos meus passos. Peguei o whisky no armário e servi uma dose, observando o líquido âmbar preencher o copo. Dei um gole longo, sentindo a queimação familiar descer pela garganta. Era o único alívio que conseguia encontrar no momento.
Coloquei o copo vazio na bancada e esfreguei os olhos com força, tentando afastar as lembranças do dia que insistiam em rodar pela minha mente como um disco arranhado.
Edgar insistindo que eu estava apaixonado foi o último empurrão que precisei. Não que eu acreditasse nele, mas não podia negar que a ideia de estar envolvido com Violet me desconcertava de uma forma que eu não queria admitir. A única maneira de afastar essa pressão, de me distanciar um pouco do turbilhão mental que me consumia, era ver Crystal. Sempre era bom vê-la. Ela me entendia, sabia o que se passava na minha cabeça, e não fazia perguntas desnecessárias. O tipo de companhia que, no momento, eu mais precisava.
Quando cheguei a seu apartamento, a recepção foi exatamente o que eu esperava. Ela me observou com aquele olhar atento, sem pressa de julgar, mas também sem hesitar em capturar cada nuance do que eu dizia. Não fiquei surpreso quando mencionei o acordo, sabia que ela não ficaria chocada. Crystal sempre tinha uma capacidade única de absorver minha vida sem levantar bandeiras vermelhas, sem me fazer sentir como se estivesse fazendo algo errado.
Claro, omiti o fato de que Violet agora não apenas estava morando no meu apartamento, mas estava invadindo meus pensamentos de uma maneira que eu não podia controlar. Aquilo era mais do que eu queria admitir.

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