Violet
Emmet e Gael tinham 18 anos quando se alistaram no exército. Lembro-me como se fosse ontem: os dois tão determinados, os olhos brilhando com o sonho de viver para fazer a diferença. Desde pequenos, sempre falaram sobre como queriam proteger as pessoas, e entrar para as forças armadas parecia o caminho natural para eles.
Quando foram selecionados para as forças especiais, foi um misto de orgulho e medo. Sabíamos que significava missões de altíssimo risco: guerras não convencionais, contraterrorismo, operações contra irregularidades. Coisas que pareciam saídas de filmes de ação, mas eram a realidade deles. Não sei quem chorou mais naquele dia, minha mãe ou eu.
Com o tempo, nos acostumamos com a ideia. Eles eram magníficos no que faziam, sempre tão seguros, tão confiantes. E eles sempre voltavam para nós, inteiros, embora cada vez mais marcados pelas experiências que viviam. Mas, por mais que soubéssemos que eles eram bons no que faziam, cada despedida era uma tortura.
Era como se, a cada partida, uma parte de mim fosse com eles. Cada vez que eles atravessavam aquela porta, uniformizados e carregando mais do que apenas mochilas, meu coração se apertava, pensando no "e se" que eu tentava desesperadamente afastar da mente.
Hoje, a volta deles para casa era um evento. Não acontecia com frequência, mas quando acontecia, nós fazíamos de tudo para aproveitar ao máximo. Eu sabia que o jantar de hoje era especial. Não era só uma reunião de família, era uma chance de sentir a presença deles novamente, de vê-los como meus irmãos antes que o peso do mundo os levasse de volta.
Por isso, quando Damon ofereceu para me buscar mais tarde, tive que recusar. Não era sobre ele, era sobre eles. Era sobre aquele momento de estarmos todos juntos, mesmo que por pouco tempo. Damon entenderia... ou pelo menos, eu esperava que entendesse.
Tudo que eu precisava era do colo dos meus irmãos. Não importava o quão adulta eu me achasse, ou quantas decisões difíceis eu precisasse tomar, estar entre Emmet e Gael era como voltar no tempo, para uma época em que tudo parecia mais simples.
E é exatamente por isso que estou aqui, sendo amassada no meio deles no sofá da sala, enquanto meu pai tenta adivinhar o que as mímicas da minha mãe querem dizer.
— Um avião? — ele arrisca, estreitando os olhos para os gestos exagerados dela.
Minha mãe revira os olhos e balança a cabeça com impaciência, apontando freneticamente para o relógio na parede.
— Tempo! — Gael grita, rindo alto, enquanto minha mãe j**a as mãos para o alto em exasperação e meu pai murmura algo sobre como ela faz tudo parecer mais complicado do que deveria.
Emmet me abraça mais forte, apertando meu ombro.
— Senti falta disso.
— Deixa eu mostrar como se faz, mulher! — Meu pai se levantou tirando um bilhetinho de dentro do pote de margarina enquanto Gael virava à ampulheta
— Eu também, — respondi baixinho para Emmet, deixando minha cabeça cair contra o peito dele.
Eles eram minha fortaleza. Não importava o quão perdida ou sozinha eu me sentisse, nos braços deles, tudo ficava mais leve. Por algumas horas, os problemas lá fora podiam esperar. Damon, Rosalind, o passado, o futuro... Nada disso importava agora. Aqui, só existia amor e a certeza de que, não importa o que acontecesse, eu sempre teria um lar para onde voltar.
— Uma semana casada, hein? — Emmet comentou, apertando a ponta do meu nariz como fazia quando éramos crianças.
— Parece que já faz um século — suspirei, deixando meu corpo afundar um pouco mais no sofá.
— Se quiser fugir, eu dirijo — ele disse com um sorriso travesso.
Revirei os olhos, mas não consegui evitar o riso que escapou.
— Não é tão ruim assim, tá? Damon é... — pausei, pensando no que dizer sem revelar mais do que devia. — Ele tem sido... compreensivo.
— Compreensivo? — Gael arqueou uma sobrancelha. — Isso é o melhor que você consegue dizer sobre o cara com quem casou?
— Ele comprou a casa amarela para mim, aquela que vocês sabem que eu sempre sonhei em ter. — Resolvi soltar essa informação para desviar do foco sobre o casamento.
Gael virou o rosto na minha direção para completar à cara de surpresa de Emmet.
— Sério? A casinha que você chorou por três semanas porque o Eathan não queria? — Gael perguntou, a voz carregada de descrença.

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