Cap.53: a dor profunda e escondida.
Hanna recuou quando viu quem estava ali. Ele cambaleava para dentro do quarto, encarando-a com o olhar perdido.
— O que você faz aqui? — perguntou Hanna, se afastando dele enquanto seus passos confusos a aproximavam.
— Eu quero ficar... — Morgan balbuciou, apertando os olhos, tentando se manter lúcido.
— O que está falando, senhor Morgan? Você está bêbado?
— Estou cansado! — asseverou ele de repente, cambaleando para frente. Hanna apoiou as mãos sobre seu peito para impedi-lo de cair.
— Você bebeu... qual o motivo disso? Não deveria estar no meu quarto. Venha, eu vou te levar de volta. — pediu Hanna, apreensiva, tentando segurar no braço dele para levá-lo para fora. Mas, mesmo embriagado, ele não havia perdido suas forças. Hanna continuava tentando puxá-lo, colocando o braço dele em cima de seu ombro. De repente, Morgan se livrou e a abraçou por trás.
Ela petrificou com sua ação.
— O que está fazendo?
— Não faça barulho... — murmurou ele com a voz arrastada. — Estou cansado demais para lidar com ela invadindo meu quarto após ter me visto assim... — suspirou ele, a deixando confusa. Ao se recordar do que Lory havia lhe dito, deduziu que ele falava sobre Maya e seus assédios, já que ela já havia se aproveitado da situação antes.
— Senhor Morgan... — ela tentou se livrar dele.
— Me chame de William, vamos deixar as formalidades para depois. — pediu ele, apertando os olhos.
— O que vão pensar se te virem aqui? Eu não quero que pensem que estou roubando o marido de alguém. — ela comprimiu os lábios ao falar. Então, Morgan a soltou e se sentou na ponta da cama. De repente, ergueu a face para encará-la.
— Você está me roubando? Se eu pertencesse a alguma delas... — resmungou ele, deitando-se com o olhar sobre o teto, perdido em meio aos seus pensamentos.
— Mas... não digo Hanna, mas... Maya está bem interessada em você, não é?
— Assim como dezenas de outras mulheres. — resmungou ele com frieza.
— Você pode sair? Além disso, você não é um homem indefeso. Eu até tentei lidar com você e não consegui te colocar para fora, tenho certeza que você vai conseguir lidar com Maya. — sugeriu Hanna, engolindo em seco com desconforto de vê-lo deitado em sua cama.
— Mas Maya não vai me jogar para fora, ela vai se jogar para cima de mim e você tem que se responsabilizar pelo que fez. — ele disse em tom de acusação.
— Não faça nada comigo... eu não quero você como homem... prefiro morrer! — asseverou ela, sem conseguir ver o rosto dele, enquanto sentia a respiração quente em cima de seu ombro.
— Você é linda e mentirosa, mas não sabe mentir. Você diz uma coisa e faz outra... mas eu não sou covarde para fazer algo contra a sua vontade. Apenas quero apreciar a sensação boa que é ter você aos meus braços, é uma sensação familiar...
De repente, tudo ficou em silêncio. Contudo, Hanna não dormiu. Ela sabia que Morgan tinha adormecido, mas seus braços não afrouxaram.
— Eu quero eles de volta... — ela o ouviu sussurrar. — Eu queria que eles pudessem estar comigo... eles não mereciam esse fim... — ele lamentava, mas Hanna não sabia se ele estava lúcido.
— Sua família? — ela perguntou baixinho.
— Você está comigo agora, mas eles se foram. É tão injusto... Ela me entregou aquilo em minhas mãos de forma covarde e foi embora... Eles não têm ideia do inferno que tenho passado em silêncio... Eles não sabem o quanto tenho lutado...
Hanna comprimiu os lábios e seu irmão veio à sua mente.
— Se você não me desprezasse... saberia o quanto estou lutando também... eu não deveria ter deixado meu coração bater por você. — confessou ela, se encolhendo em seus braços de forma deprimida ao mesmo tempo que tentava adivinhar sobre o que ele falava, parecia ter algo mais sobre a vida dele que ela não tinha conhecimento o que mais Morgan passou? O que tinham entregue a ele que o deixou ainda mais quebrado? Ela tinha tantas questões, mas as respostas não seriam reveladas.

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Os comentários dos leitores sobre o romance: Após meu noivo fugir, casei com seu pai.